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Archive for abril \30\UTC 2010

Para uma véspera de feriado nada melhor que ouvir uma boa música e ficar no clima para aproveitar bem o fim-de-semana. Gosto muito do violoncelista Julian Lloyd Webber e a sua interpretação para este Noturno Opus 9 Número 2. Na minha rádio no Twitter você pode ouvir outras músicas deste fantástico instrumentista.

Chopin’s Nocturne Op.9 No.2 performed by Julian Lloyd Webber and the Royal Philharmonic Orchstra conducted by James Judd from the CD Cello Moods

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Dono de locadora passa por cada uma… Esta é mais uma das muitas histórias que aconteceram comigo aqui na locadora e chego a pensar que, reunidas, daria um livro. Só não sei se esta obra seria classificada de contos pitorescos ou um tratado psicológico. Mas vamos à história de hoje que é o que interessa. Era uma terça-feira atípica aquela porque Já tinha locado oito fitas pela manhã (isto no tempo do VHS, lembra VHS? Pois é…) e a locadora estava cheia de clientes e, pelo movimento, a receita iria ser farta assim como as contas a pagar do dia. Mas não foi este fato que marcou aquela terça-feira do ano de 2001. Mas para contar este caso direito, tenho que retroceder uns dois ou três meses antes quando surgiu, pela primeira vez, o personagem principal desta narrativa (que mais parece uma novela mexicana).  Vou chamá-lo de Júlio Cesar porque nunca se sabe quem vai ler este blog.  Pausa para uma reflexão pertinente. Júlio Cesar não é bem um nome de personagem de novela mexicana. Então me deixe pensar em um nome mais apropriado… Vejamos… Roberto Afonso. Isso! Nosso personagem vai se chamar Roberto Afonso.

Não lembro exatamente que dia Roberto Afonso chegou pela primeira vez na locadora, mas recordo que ele era muito reservado e educado e não trocamos mais que as palavras necessárias para abrir o cadastro e nos despedirmos com “bom dia” de ambas as partes. Mas o que mais chamou minha atenção foi o comprovante de residência que ele apresentou na hora de fazer o cadastro. Seu endereço era muito longe da locadora e existiam, naquela época, três ou quatro locadoras pelo caminho antes de chegar a minha. Porque será que ele vinha de tão longe para locar um filme? Na dúvida consultei o SPC para verificar se não seria mais um daqueles clientes que locam e nunca mais aparecem para devolverem os filmes. Mas não constava restrição alguma em seu nome e, ato contínuo, liguei para as locadoras que ficavam na região em que ele morava e também não constava nada em desabono. Aliás, ele não era registrado em nenhuma delas e ninguém o conhecia. Fiquei com a pulga atrás da orelha e resolvi prestar mais atenção nas suas escolhas e com a certeza que não o deixaria locar mais que uma ou duas fitas e com certeza ele não levaria lançamento algum. Circulou pela locadora algum tempo e percebi que ele estava procurando um filme em específico e então chegou às estantes dos pornôs e ali ficou um bom tempo olhando as capinhas até que encontrou o que procurava. Ao dirigir-se ao balcão, notei que ele pegou a primeira capinha que viu pelo caminho sem se dar ao trabalho de saber que filme era. Colocou o filme pornô em baixo e o filme da ação em cima para não chamar a atenção do outro cliente que eu estava atendendo no momento. Aliás, este é o truque que as mulheres, os gays e os tímidos fazem ao alugarem este gênero de filme. Ao pegar o filme pornô gay entendi, num segundo, a razão porque ele viera de tão longe para locar. Provavelmente não queria dar “bandeira” no seu bairro ou que a família soubesse de sua opção sexual.

Ele tornou-se cliente assíduo da locadora sempre locando filmes gays e outro filme qualquer para disfarçar mesmo quando estávamos só nos dois na locadora. Sempre muito discreto e com os cumprimentos de praxe e nada mais até que chegamos naquela tal terça-feira atípica quando apareceu acompanhado de outro rapaz igualmente muito discreto e dirigiram-se para os pornôs e lá ficaram conversando e escolhendo seus filmes. Em alguns momentos conseguia ouvir parte do que conversavam entre risos e em voz baixa.

– Não, este já vi…  Claro… Ótimo! …. Fica tranqüilo, meu pai vai voltar só na quinta-feira dizia meu cliente ao seu amigo.

– Quantos vamos levar… Só? Vamos levar este aqui… É ótimo tem um cara que… Falava o tal amigo, mas parou ao perceber que eu poderia estar ouvindo.

Escolheram quatro filmes gays e, como sempre, passaram na estante de ação e pegaram mais dois que estavam bem à mão e dirigiram-se ao balcão. Pensei comigo mesmo: Vai ser uma terça-feira daquelas! Os pais saíram de viajem e o filho convidou um “amigo” para uma festinha particular. Se houve ou não a tal festinha não saberia dizer já que não fui testemunha ocular dos fatos, mas tenho algumas teorias. Só sei dizer que na quarta-feira, lá pelas três e meia ou quatro horas da tarde estaciona um carro em frente à locadora e desce um senhor de uns 45… 50 anos de idade e entra na locadora com passos largos e cara de poucos amigos com seis fitas em uma sacola que joga com violência no balcão e diz entre dentes:

– Estes filmes são desta locadora?

Ao abrir a sacola e ler o nome dos filmes nas respectivas capinhas vi tratarem-se dos quatro pornôs gays e os dois filmes de ação que tinham sido locados no dia anterior. Senti um calafrio na espinha e problemas no ar. Provavelmente aquele sujeito com cara de poucos amigos na minha frente era o pai do meu cliente que deve ter chegado em casa e… Bem, não quero nem pensar no que ele presenciou e a descoberta que fez, porque ele não gostou nada, nada do que viu. A meu favor posso argumentar que meu cliente tinha vinte e dois anos e, por lei, poderia locar quantos filmes pornôs gays estivesse disposto a pagar. Se ele escondia isso da família, não era problema meu. Então resolvi responder as perguntas que viriam do furioso pai de forma clara e sucinta:

– Sim, são desta locadora respondi secamente.

– Quem locou estes filmes posso saber?

– Foram locados por Roberto Afonso na terça-feira e deveriam ser entregues só na segunda-feira da próxima…

– O Senhor pegue estes filmes e cancele a ficha do meu filho porque ele não vai voltar mais aqui. Respondeu o pai indignado sem que eu tivesse terminado de falar.

– Desculpe senhor, mas meu cliente é maior de idade e só ele pode cancelar seu cadastro conosco respondi surpreso com a minha desenvoltura e porque não bravura naquelas circunstâncias. O tal homem era um armário daqueles de madeira bruta e tinha umas mãos enormes!

– Faça o que bem entender, mas ele não vai mais aparecer aqui e, portanto a ficha dele vai ficar inativa. E dirigiu-se para a porta de saída tão bravo quanto entrou. Entes de colocar o pé para fora deu meia volta e falou com voz de trovão e dedo em riste:

– Se eu ver mais fitas desta natureza na minha casa eu volto aqui e vamos ter uma conversa muito séria! Bateu a porta atrás de si deixando-me aturdido e perplexo como se eu fosse o responsável pelas escolhas sexuais do filho.

Para sorte minha o cliente nunca mais apareceu e não tive que enfrentar mais uma vez um pai indignado. Mas o que eu poderia fazer para impedir o Roberto Afonso de locar filmes pornôs? Ele era adulto e dono do seu nariz. Quer dizer, nem tão dono assim do próprio nariz porque não conseguiu enfrentar seu pai e contar-lhe a verdade. Mas isto é outra história e ele deve ter lá suas razões para ter escondido isto da família. Espero que hoje seja uma pessoa feliz e que a família o tenha compreendido e aceitado. Por aqui nunca mais apareceu. Quer dizer… Ele não, mas o amigo que o acompanhava naquela terça-feira sinistra sim. Com outro rapaz e locaram outros filmes gays. A fila anda…

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Capa do Livro Inés de Minha Alma, de Isabel Allende

A narrativa do livro é feita a partir das memórias da própria heroína do romance, que no momento presente, está com sessenta anos de idade e sente que a morte esta a espreita para lavá-la para junto dos seus. Através das memórias que vai escrevendo (ou ditando para a filha) vamos conhecendo Inés Soaréz (1507-1580) que foi assim descrita nos livros de história: “Espanhola, nascida em Plasencia, que viajou para o Novo Mundo em 1537 e participou da conquista do Chile e da fundação de Santiago. Teve grande influência política e poder econômico”.

Por algum tempo Inés Soaréz carregou nas costas a fama de ser “Viúva das Índias” uma vez que seu marido Juan de Málaga a abandonou e seguiu viagem para novas terras em busca de ouro e riqueza. Mas esta mulher não poderia ficar em casa costurando e assando empadas a vida inteira esperando por seu amante aventureiro. Resolveu então mudar seu destino e juntou suas traças e uma sobrinha de quinze anos e, após meses de espera, conseguiu autorização do governo e da igreja para ir atrás de Juan. Claro que isso era só uma desculpa para conseguir a tal autorização porque o que ela buscava mesmo era sua liberdade e, acima de tudo, ser dona de seu nariz e construir seu futuro. Em uma viagem conturbada de três meses em um navio onde só havia homens, Inés conseguiu chegar ao seu destino mantendo-se íntegra e forte. Desembarca na Venezuela com a sobrinha e já em terra firme tem que mostrar sua coragem porque não era fácil ser mulher na Espanha, muito mais difícil ainda seria em terras estrangeiras repleta de conquistadores a procura do novo “Eldorado”.  Assim, enfrenta seu primeiro desafio para defender sua honra na luta com um marinheiro muito atrevido que encontra a morte na ponta da sua faca ao tentar estuprá-la na sua cabana improvisada de casa. Precisa então fugir para outras terras e embarca para o Peru deixando para trás a sobrinha que se apaixonara por outro viajante.

Para sobreviver no Novo Mundo faz o que sempre fez na Espanha: Costurar e cozinhar empadas. Não encontra Juan em parte alguma, mas encontra alguém que mudaria sua vida para sempre: o guerreiro Pedro de Valdívia. Para provar sua coragem e ousadia já na segunda noite de amor com este herói diz: “De agora em diante você tem as costas cobertas por mim, Pedro, de modo que pode se concentrar em suas batalhas de frente”. Promessa cumprida com a determinação que só as mulheres fortes sabem cumprir. Mas não pense que ela foi sombra deste fundador de cidades, porque ela lutou lado a lado com ele na caravana que seguiu do Peru para o Chile e teve importância vital na travessia do decerto do Atacama já que foi a responsável por encontrar água no deserto. Não fosse isso e não teríamos esta história para ler e o Chile não seria o que é hoje. Após instalarem-se no vale fundaram a cidade de Nova Extremadura (que posteriormente ficou conhecida como Santiago). A vida no início do povoado não foi nada fácil porque a fome era grande, a miséria maior ainda e a guerra com os índios, principalmente com a tribo dos Mapuches, decepava muitas vidas e a força de trabalho só diminuía aumentando ainda mais o sofrimento.  Foram lutas árduas e sangrentas e muita gente morreu de ambos os lados. Enquanto Pedro de Valdívia explorava e fundava outras cidades pelo Chile era Inés quem ficava no povoado para ajudar a construir as casas para aquela gente toda; erguer o hospital para cuidar dos enfermos; costurar e cozinhar para todos. Era também a responsável pela plantação e a colheita nos campos; de criar e alimentar os animais além é claro de administrar a todos com afeto e mão de ferro. Como se vê, esta mulher não só acompanhou Pedro de Valdívia, mas construiu, com as próprias mãos, os destinos daquela gente. O título que ostentava de “governadora” não era mera retórica e tinha o respeito e admiração de todos. Em uma das muitas batalhas sangrentas que participou, decepou a cabeça de sete caciques que estavam presos sob sua responsabilidade e as jogou para cima de seus agressores para evitar que milhares de índios da tribo Mapuches exterminassem o povoado. Ao vislumbrar tamanha valentia os índios puseram-se a correr com medo daquela “bruxa” sanguinária e louca e assim, mais uma vez, salvou sua cidade e seu povo do extermínio completo.

Espanhola de sangue quente aprendeu e viveu intensamente os três amores que conheceu na vida: Com Juan de Málaga (seu primeiro marido) conheceu os prazeres do sexo e da sedução, com o amante Pedro de Valdívia sentiu aflorar uma paixão avassaladora e aprendeu o valor do  companheirismo na luta pela sobrevivência e com Rodrigo de Córdoba (segundo marido) experimentou um amor mais sereno e definitivo num relacionamento que durou mais de trinta anos.

Ler Inés de Minha Alma foi gratificante por duas razões: A primeira foi conhecer a história da colonização do Chile e da fundação de Santiago. Em segundo lugar por ter aprendido a respeitar e a valorizar o trabalho fantástico de uma grande mulher que viveu por seus ideais e pela valorização da força criadora feminina.

Meus sinceros agradecimentos a minha amiga Regina Pereira Soares que emprestou-me o livro.

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O texto que publiquei aqui com o título “A Glória do Touro!” está repercutindo lá no Fórum Cinema em Cena. Criei um tópico lá no fórum com o nome de “Touradas: Você é a favor ou contra?” e está acontecendo um debate interessante por aquelas bandas. Participe aqui no blog ou lá no fórum sobre este debate e posicione-se!

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Foi manchete em vários sites da internet a notícia do menino de doze anos que foi atacado pelo touro em um espetáculo na Colômbia. A multidão estava ali reunida para assistir ao grande espetáculo do mirim sanguinário matar o grande touro selvagem. Além é claro de  infligir no animal inúmeras estocadas com sua espada afiada e deixar o valente quadrúpede  exausto, humilhado e finalmente caído ao chão sem vida. Mas não foi isso que o público sádico assistiu. Felizmente. O touro reagiu e deve ter pensado lá na sua cabeça de touro que sofrer esta crueldade e ser executado por um pirralho de doze anos já era humilhação demais e partiu furioso para o ataque. Só não deu fim a este pequeno monstrinho porque o pai do exibido “herói” atirou-se na arena para defendê-lo. Mas o touro achou por bem dar uma lição no monstro/pai e também o colocou a correr com o rabo entre as pernas com escoriações e alguns ferimentos. Digo em alto e bom som, ou melhor, em Caps Lock: BEM FEITO! O Touro deveria ter dado cabo nestes dois para dar o exemplo aquela platéia de sádicos sanguinários. Não queriam ver sangue e morte? Pois teriam duas mortes para alegrarem seus corações e seus instintos perversos.

No livro “O Fim da Inocência”  de Arthur C. Clark  descreve uma cena interessante que deveria sair das páginas ficcionais e tornar-se realidade. Quem sabe assim os espectadores destes espetáculos pensassem duas vezes antes de realizarem tamanha insanidade. Arthur C. Clark conta-nos que em um estádio lotado o público aguardava a grande execução de um touro pelo seu algoz fantasiado de herói público. No momento em que o toureiro desferiu seu golpe com sua espada afiada nas entranhas do animal a platéia, em uníssono, gritou e sentiu, na própria carne, a dor que o animal também sentia. Um silêncio caiu como manto sobre a arena e um a um o público presente deixou o estádio envergonhado por tamanha barbaridade que faziam aos touros indefesos. Infelizmente esta cena nunca vai ocorrer na vida real, mas fico feliz quando leio notícias em que o touro colocou a correr seu carrasco e provocou também muitas dores e algumas sequelas nestes heróis de araque (ou melhor, figuras carnavalescamente fantasiados).

Não sei o que me deixou mais fulo nesta história toda: Se foi o guri de doze anos enfrentando uma fera e exibindo-se todo garboso para o público sádico ou foi saber que esta crueldade juvenil enlouquecida toda, foi obra ensinada por seu pai todo orgulhoso. Em pleno século vinte e um e ainda existe “espetáculo” bárbaro desta magnitude e selvageria. E ainda tem gente que paga para ver tal coisa. Bando de sanguinários. BEM FEITO! Pergunto-me o que um pai tem na cabeça ao ensinar uma coisa destas para uma criança e levá-la ao perigo fatal só para exibir-se de sua proeza e valentia. Tudo bem que é uma questão cultural que tem séculos de existência e tudo mais. Mas chega desta crueldade medieval e sem propósito! Existem outras formas culturais que se possa ensinar aos nossos filhos e orgulharmo-nos de suas façanhas como seres humanos e não como bestas irracionais. Poderia estar este pai agora ao túmulo a chorar pelo filho. Ou a família a chorar por ambos. Eu, de minha parte, estaria a aplaudir e dar vivas ao touro!

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Mais uma das muitas histórias que acontecem comigo na locadora. Às vezes é preciso ter sangue frio para enfrentar certas situações ou então fingir-se de cego, surdo e mudo. Estava eu concentrado lendo um livro aguardando a chegada dos clientes. A locadora estava vazia àquela hora da manhã e por certo continuaria até o meio da tarde. Para surpresa minha encosta um carro e estaciona em frente à locadora. Desce um jovem casal que me cumprimenta ao entrar. Estão de mãos dadas, sorridentes e felizes da vida. Como sempre acontece dirigem-se a estante dos filmes de lançamentos. Conversam animadamente com palavras de afeto e apelidos íntimos na linguagem que só os enamorados sabem falar. Era um tal de “Amor” pra lá, “Amorzinho” pra cá e assim eles saracotearam pela locadora escolhendo seus filmes. Posso até jurar que trocaram alguns beijos sempre indiferentes a minha presença. Estavam já com quatro DVDs na mão e eu com sorriso atrás da orelha de satisfação. Pensei: Comecei bem o dia!

Por mais que eu tentasse, não conseguia me lembrar quem era o titular do cadastro. Mas tinha quase certeza que era o homem já que a mulher me pareceu estranha a primeira vista. Eles chegaram ao balcão para fazer a retirada. Foi então que surgiu a pergunta clássica que fez a roda do destino girar e a confusão se armar em plena manhã de uma quinta-feira (ou seria quarta-feira?). Enfim, era uma manhã isto eu lembro com certeza. Por razões óbvias, os nomes aqui citados são fictícios.  Mas vamos a tal pergunta fatídica:

– Quem é o titular da ficha? Perguntei sem a menor idéia do que veria depois.

– Carlos Eduardo respondeu o jovem apaixonado.

– Faz tempo que tu não locas, vou precisar atualizar o cadastro, ok?

– Tudo bem.

Assim fui fazendo as perguntas pertinentes: Nome completo, endereço atual, telefone para contato, etc… etc… Para finalizar perguntei se a Mariana e o José Paulo continuavam autorizados a locar em seu nome. Seguiu-se um silêncio constrangedor. O homem virou-se para a mulher ao seu lado e ela já o fuzilava com um olhar gélido. E eu ali esperando a resposta já percebendo que alguma coisa estava errada. O clima começou a ficar pesado à nossa volta. E os segundos correndo… Com a voz várias oitavas acima a mulher trovejou:

– Carlos Eduardo da Silva, o que esta vagabunda está fazendo no teu cadastro? Acreditem, ela citou o nome completo do rapaz com uma fúria que nunca vira antes.

– Depois a gente conversa…

– Depois uma ova, quero saber agora porque o nome desta piranha está escrito na tua ficha aqui na locadora! Diga, quero saber!

Sem responder nada para a mulher o homem virou-se para mim e mandou tirar o nome da tal Mariana do cadastro e acrescentar o nome de Vera Lúcia. O que fiz de pronto sem dirigir-lhes o olhar. Enquanto isso a mulher bufava, espumava e falava feito uma metralhadora giratória. O coitado mais vermelho que pimentão e constrangido como só os amantes ficam na hora do flagra.

– Carlos Eduardo da Silva, responde! “Tu sempre negou” que teve algum caso com esta vagabunda e agora ela aparece na tua ficha! (nesta hora quem se lembra de conjugações verbais?). Que sacanagem é essa agora? Responde seu canalha! Eu não sabia o que fazer. Agora era tarde para voltar atrás e não fazer aquela pergunta maldita. Não sei quem tremia mais, eu ou o tal Carlos Eduardo da Silva (assim mesmo, nome completo porque também já estava fulo com ele por me colocar nesta enrascada).

– Vera, em casa a gente conversa. Deixa de fiasco!

– Fiasco? Tu vai ver o que é fiasco! Vamos embora que agora não quero ver droga de filme nenhum. E saiu porta a fora em disparada. De dentro da locadora deu para ouvir o estrondo da porta do carro batendo. O homem ficou ali parado um instante sem saber o que fazer. Deixou os DVDs no balcão e, olhando para mim, disse tão baixo que mal pude ouvir:

– Me desculpe. E saiu em marcha lenta já prevendo o que lhe aguardava. O que seria uma boa manhã de quinta-feira (ou seria quarta-feira?) virou cinzas e aquele meu sorriso atrás da orelha transformou-se em puro constrangimento e terror. Pensei que a mulher iria agredir o homem. Se bem que ela deu alguns empurrões e tapas, enquanto ele tentava segurá-la e acalmá-la. Mas nada sério. E acabei sem locar nada naquela manhã. E para piorar perdi o interesse na leitura. A partir daquele dia nunca mais perguntei para cliente algum sobre seus respectivos autorizados. Não cito mais nome de homem em ficha de mulher e, muito menos ainda, nome de mulher em cadastro de homem. Eles que se entendam.

Algum tempo depois o tal rapaz apareceu na locadora com uma loira de parar o trânsito vestida com uma blusa com um decote tão saliente que dava para vislumbrar os seios fartos e uma saia justa que juro, tremi nas bases.  Mas agora estava preparado e lembrava perfeitamente bem o nome completo do casanova tupiniquim. Fui ao computador e apaguei o nome Vera Lúcia do cadastro sem fazer perguntas. O casal saiu da locadora de mãos dadas e felizes da vida. Moral da história: Não deixe rastros… Nunca se sabe que perguntas o dono da locadora vai fazer a você.

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Meu Melhor Amigo!

Hoje é um dia muito especial. Dia para homenagear um grande amigo que me acompanha ha muitos e muitos anos sempre com sábias e inspiradoras palavras. Ele tem múltiplas personalidades (cada qual mais encantadora que a outra) e é também bipolar.  Têm dias que só transmite alegrias e aventuras fantásticas onde tudo são prazeres e encantamentos. Na semana seguinte ele me conta só coisas tristes de uma melancolia de dar pena, fazendo uma lagrimar rolar no meu rosto. Apesar de tudo isso ele está sempre comigo porque é impossível não tentar entendê-lo e compreendê-lo. E Quanto mais ouço suas histórias mais eu quero ouvi-las e torná-las parte de mim.

São tantas as facetas deste meu amigo que procuro estar sempre perto dele para aprender sobre a vida, a morte, a alegria, a tristeza e tudo mais. Vou com ele em viagens incríveis e a lugares inimagináveis. Ele também me apresenta seus amigos que acabam fazendo parte da minha família e convivendo comigo também por muitos anos. Assim, somos uma turma bastante grande eu, meu amigo e os amigos dele. Já passamos por tantos perigos e lugares tão estranhos que só acompanhado dele consegui enfrentá-los e vencê-los. Já conheci tantos personagens nestas histórias todas que daria para compreender boa parte da alma humana. Mas ele ainda tem muito a me ensinar e por esta razão ainda é meu amigo e confidente.

Ele é ótimo conselheiro sabia? Pois é… Tem dias em que estou triste e ele sempre tem uma palavra de consolo e sábios conselhos. Tem dias em que estou muito feliz e ele me acompanha com suas piadas e histórias fantásticas para me deixar mais satisfeito ainda. Claro que tem dias que desejo chutar o balde e rebelar-me com todos a minha volta. Mas ele consegue me acalmar e então vamos passear por caminhos mais serenos. Ao ouvir suas narrativas fico mais tranquilo e volto a ser um ser mais sereno e de quebra,  ainda ganho mais sabedoria. Em sua companhia, meu horizonte e minhas possibilidades, como ser humano, se ampliam enormemente. Porque meu amigo é uma fonte inesgotável de sabedoria.

Meu amigo é muito inteligente. Conhece tantas terras e idiomas tão diferentes (sim ele fala muitas línguas este meu amigo) que fico espantado por sua sapiência e erudição.  Conhece ainda tantos personagens cativantes e interessantes. Devo confessar que alguns são perversos e mesquinhos, mas ninguém é perfeito, certo. E todo este conhecimento e estas pessoas ele compartilha comigo com prazer que só os amigos sabem fazer. Ele nunca se cansa de me ajudar e a me ensinar. E sempre fica ao meu lado em todos os momentos da minha vida. Sejam eles alegres ou tristes. Você talvez tenha um amigo igual ao meu ao seu lado. Tem? Então você, assim como eu, somos pessoas privilegiadas e devemos, neste dia, homenagear este amigo muito especial. Ele é tão incrível que até no seu dia ele prefere estar ao meu lado e assim o presente quem ganha sou. Não é incrível? Isto que é um verdadeiro amigo! Ele gosta de estar ao meu lado porque sabe que eu tenho a maior consideração por ele e sempre valorizo muito seus ensinamentos e suas sábias e cativantes palavras.

FELIZ DIA DO LIVRO, meu amigo!

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