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Archive for junho \30\UTC 2010

Não tenho por hábito assistir a estes programas esportivos que fazem a análise após uma partida de futebol onde uma turma de “especialistas” no assunto ficam um tempo enorme discutindo se foi escanteio ou não e coisas do gênero que só os aficionados conseguem assistir. Mas segunda-feira acabei assistindo aos programas “BandMania” (Band) e “Central da Copa” (Globo) sobre a repercussão do jogo Brasil e Chile. Em ambos os programas o assunto foi o desempenho do Kaká e a sua transformação de “bom menino” para “Bad Boy”. Segundo os comentaristas de ambos os programas o Kaká sempre fora um jogador exemplar que não cometia faltas bruscas, não dizia palavrão e jogava sempre com espírito esportivo e tudo mais. Ou seja, era um jogador que tinha um comportamento calmo e tranqüilo e era um cara legal com os colegas e admirado pelos adversários. Salientavam, contudo, que nesta copa do mundo ele havia se transformado em um “bad boy” que seu jogo estava mais violento, que estava de sangue quente e até proferia palavrões em rede mundial de televisão. Tanto eram verdade estas afirmativas que recebera cartões amarelos e que fora expulso de campo com um cartão vermelho por jogada violenta.

O interessante nestes comentários era que os tais especialistas (tanto na Band como na Globo) aplaudiam esta transformação de caráter do nosso atacante e sua postura de jogo. Todo mundo parecia estar satisfeito em ver o Kaká travestido de truculento e sangue quente. Em ambos os programas mostraram, várias vezes, o momento em que o Kaká proferia palavrões que fora entendido por todos. Inclusive por aqueles que não estão habituados em leitura labial. Todo mundo achou o máximo e aplaudiram este “novo” jogador e, de certa forma, até o incentivaram a permanecer assim e partir para cima de seus adversários com violência nos pés e palavrões na boca. Ou seja, Kaká deveria ser um Bad Boy canarinho e partir para cima de todo mundo como um trator e não um jogador profissional. Não sei por que isto me incomodou e fiquei a pensar sobre isso. Acho até que entendo um pouco esta cultura de ser rude no futebol visto tratar-se de um esporte que exige estatura corporal forte e mais ainda um esporte para “machos” e, segundo opinião geral, é preciso ser e ter uma postura mais rígida em campo. Será? No que diz respeito ao Kaká parece que esta “fórmula” não se aplica, ou não se aplicou até esta copa do mundo visto que este jogador era tido como “bom menino” em campo.

A questão principal deste comentário é saber até que ponto esta postura vai influenciar a vida de Kaká fora de campo. Será que ele vai rever seus conceitos como pessoa? Será que vai adotar esta postura de truculento também no seu ambiente familiar e nos seus relacionamentos com os amigos? Sinceramente espero que não e, pelo que se tem visto pela imprensa, muito improvável que tal aconteça. Acredito que isto seja apena pressão da copa do mundo e das exigências que seus admiradores e torcedores brasileiros fazem para que ele finalmente desponte como jogador de sucesso da seleção canarinho (nossa seleção canarinho é coisa de velho). Mas enfim, sucesso ao Kaká e que ele possa dar muitas alegrias ao país e aos seus admiradores em todo o mundo. Sem truculências, claro! O sucesso neste momento é importante para que sejamos hexa campeões do mundo, mas não a qualquer preço. Ninguém tem o direito de exigir, ou incentivar uma postura antiética e truculenta de Kaká. Vai lá, Kaká e traga este título pra nós!

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Assistir ao filme O Ovo da Serpente é como sentir um soco no estômago e ficar sem ar por alguns minutos. Não é à toa que esta produção de Ingmar Bergman é um dos seus trabalhos mais contundentes e que talvez seja o mais conhecido do grande público. Com certeza é o mais político e intenso trabalho de reconstituição de época e um olhar crítico sobre a Alemanha antes do surgimento do Nazismo. Liv Ullmann com seu olhar intenso e sua interpretação soberba dão ao filme toda a dramaticidade que o diretor exige. Não é por menos que Liv Ullmann é a atriz preferida de seus trabalhos. Tanto a admira como atriz e como mulher que casou com ela. David Carradine também está perfeito no papel do judeu Abel Rosenberg.

Abel Rosenberg, um trapezista judeu desempregado, está em Berlim em Novembro de 1923 para tentar descobrir a razão do suicídio de seu irmão. A Alemanha está em crise na república de Waimar em razão da primeira guerra mundial. O povo vive em constantes crises existenciais, econômicas e sociais e o poder político está em franco declínio e os cidadãos vivem sem uma perspectiva de futuro. Neste ambiente de caos o “ovo da serpente” encontra ambiente propício para ser chocado e eclodir com força e mudar os destinos do mundo e da Alemanha.  Abel encontra abrigo em um apartamento de um cientista que também lhe oferece um emprego. Sua cunhada vive como corista em uma boate de quinta categoria e mora em uma pensão e ambos acabam se relacionando nesta semana tumultuada. A solidão de ambos, a miséria em que vivem e o futuro sem futuro os colocam numa situação constrangedora de viver um caso tumultuado. No trabalho Abel desconfia que alguma coisa está errada e, ao investigar o tal cientista, descobre que ele está fazendo experiências humanas em nome da ciência médica e da supremacia ariana e encontra respostas para o suicídio do irmão.

A fome, o desemprego, a superinflação e a violência urbana criam situações de desespero geral aumentando o descontentamento de uma nação criando assim um ambiente favorável para que Hitler encontre eco a sua megalomania de um poder absoluto e tirano. Acima de tudo, encontra um povo disposto a elevá-lo ao topo da hierarquia indiferente aos seus métodos racistas e cruéis. Um retrato fiel de uma Alemanha em crise e uma profunda reflexão sobre as origens do nazismo. O título do filme é uma síntese perfeita das condições que permitiu o surgimento de Hitler e seu regime nazista. Não é um filme para se assistir indiferente e a reflexão se faz necessário até para que não venhamos a cair na mesma armadilha de sermos salvos por falsos heróis e salvadores da pátria egocêntricos e racistas.

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Ao assistir ao filme Vicky Cristina Barcelona, com roteiro e direção de Woody Allen foi impossível não fazer um paralelo com a obra do cineasta espanhol Pedro Almodóvar. Claro que a opção de Almodóvar não seria aquelas cores “frias” e neutras que Allen utilizou nos figurinos, cenários e ambientes naturais apesar do filme ter sido rodado em Barcelona.  A trilha sonora com fundo do violão fantástico de Paco de Lucia na obra “Entre dos Aguas” talvez tenha contribuído para esta comparação cinematográfica entre os dois diretores que, aliás, não possuem nada em comum, exceto claro a genialidade e sensibilidade para contar histórias humanas. Demasiadamente humanas.

Além da excelente trilha sonora e da colorida e quente Barcelona os personagens ambíguos em seus sentimentos, o amor passional e quase destrutivo de Maria Helena e o triângulo amoroso improvável entre Vicky, Cristina e Juan Antonio deu-me a impressão de tratar-se de uma obra do cineasta Almodóvar. Até mesmo o humor sarcástico e exageradamente humano dos personagens contribuiu para esta comparação. Mas vamos deixar Almodóvar de lado porque se trata de uma obra de Woody Allen.

Vicky está fazendo sua pesquisa de mestrado sobre a cultura catalã e leva sua amiga Cristina a Barcelona para concluir seus estudos na Espanha e lá conhecem o pintor Juan Antonio que está em uma separação muito tumultuada com sua ex-mulher Maria Helena. Após um jantar Juan convida as duas amigas a conhecerem a cidade de Oviedo e quem sabe um fim de semana de muitas atrações turísticas e encontros sexuais. Claro que a recatada e noiva Vicky se escandaliza com tal convite o que é de pronto convencida a aceitar a tal proposta pela despachada e liberal Cristina. Assim, o trio parte para uma aventura de grandes possibilidades e talvez encontros calientes com o tal Juan Antonio em cenários históricos, culturais e gastronômicos de uma Espanha efervescente e libidinosa. Na primeira noite na cidade Cristina passa mal após o jantar e acaba ficando de cama durante alguns dias em razão da sua úlcera. Para aproveitar o tempo e não perder a oportunidade de conquista Juan leva Vicky a passeios turísticos por Oviedo e também para conhecer sua família e os lugares por onde ele andou na infância e tudo mais. Assim, inesperadamente e, apesar da relutância de Vicky ambos acabam na cama. Este fato irá desencadear outras situações já que Cristina, após recuperar a saúde passa a morar com Juan Antonio.

O tempo vai passando e de repente Maria Elena surge como um furacão novamente na vida do seu ex-marido aparecendo assim um triângulo amoroso a princípio dos mais perigosos, mas que acaba tornando a vivência um tanto quanto caliente e diversificada visto que todos se relacionam sexualmente. Nada muito explícito visto que no filme assistimos apenas alguns beijinhos entre Elena e Cristina. Enquanto isso Vicky vai levando sua vida normalmente com seu noivo com o coração na mão e a mente no amante espanhol. De repente o triângulo vira um quadrado amoroso dos mais improváveis até o desfecho mais improvável ainda.

Penélope Cruz na pele de Maria Elena é um deslumbre que ilumina as cenas toda vez que aparece com seu personagem passional e dos mais críveis neste círculo de pessoas um tanto quanto formais. Scarlett Johansson como a sensual e provocativa Cristina deixa seu recado com competência apesar de seu personagem ser um tanto quanto ambígua em seus sentimentos e objetivos de vida. Rebecca Hall como a “certinha” do grupo não compromete  com sua paixão avassaladora pelo amante.  Javier Bardem como o galante e conquistador Juan Antonio cumpre com competência sua função de macho dominador, conquistador e aglutinador destas três mulheres tão dispares entre si. Por fim vale ressaltar os cenários de uma Barcelona histórica, cultura e a beleza da sua natureza exuberante. Quanto à direção de Woody Allen pareceu-me que ele tenta fazer um filme mais europeu e “comercial” para atrair público ao cinema já que nos Estados Unidos seu cartaz está um tanto quanto em baixa. De qualquer forma Woody Allen é sempre um prazer de assistir.

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Após assistir ao filme Vicky Cristina Barcelona, do cineasta Woody Allen deu-me uma saudade do violão mágico de Paco de Lucia e sua interpretação inesquecível para esta obra inspiradora e caliente como só o violão espanhol é capaz de reproduzir.

Emocione-se com Entre dos Aguas e a interpretação visceral de Paco de Lucia

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João Ubaldo Ribeiro foi convidado pela editora Objetiva para escrever sobre a Luxúria para a coleção “Plenos Pecados”.  A Casa dos Budas Ditosos foi a obra apresentada pelo autor. Uma narrativa instigante, provocadora, por vezes pornográfica, mas acima de tudo, verdadeira e sem falsos moralismos. Segundo o autor a história seria verídica e foi entregue em sua residência um pacote contendo os originais de um livro com os relatos da vivência de uma senhora de 68 anos. Ficção ou realidade seria difícil dizer, mas que este livro possui uma dose cavalar de sexo das mais diversas formas, posições e situações isto é inegável. Tudo narrado sem pudor e explicitamente nos mínimos detalhes. Capaz de corar os mais libertinos leitores pela ousadia das confissões e dos desejos sexuais realizados com o irmão, tio, o padre e quem estivesse disposto a praticar uma suruba, swing e tantas outras composições humanas (ou não) neste ardor sexual incessante.

O livro provoca falsa indignação nos moralistas de plantão já que as práticas sexuais narradas neste livro são de uma explicidade pouco comum em escritores ditos “sérios” da literatura brasileira. Mas é um livro que, antes de chocar os hipócritas sempre dispostos a criticar a sexualidade alheia, relata uma verdade inconteste: O povo brasileiro é tarado mesmo e não se fala mais nisso. Aliás, se fala e se escreve muito sobre sexo e suas inúmeras práticas e tudo mais nesta obra sobre a Luxúria. E não poderia ser diferente, claro em se tratando deste pecado capital. Interessante que ninguém ficará indiferente as páginas deste livro que mais parece um compêndio sobre as várias facetas do sexo e as suas inúmeras práticas. Todos estão aqui representados: O incesto, a pedofilia, a homossexualidade, os padres libertinos e suas taras secretas e não poderia deixar de fora o sexo convencional papai/mamãe.

Uma leitura interessante para aqueles que não se deixam escandalizar e que aceitam, numa boa, relatos explícitos sobre a sexualidade humana e o jorro incessante de sêmen a cada página. Prepare-se e caia na gandaia depois. Sangue quente e Incentivo é o que não faltam após a leitura deste livro. Boa leitura e …  Bem o resto é com você e sua parceira (ou parceiro).

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Luis Fernando Veríssimo é um escritor fantástico e de uma criatividade humorística ímpar na literatura brasileira. Sabe, como poucos, escrever sob encomenda e para o projeto “Cinco Dedos de Prosa” da Editora Objetiva dedicou-se a escrever sobre o dedo polegar no livro intitulado O Opositor (vide comentários neste blog). Agora a Editora Objetiva o convocou novamente para o projeto “Plenos Pecados” para que Veríssimo escrevesse sobre os sete pecados capitais. Meu conterrâneo resolveu então dedicar-se ao pecado da gula.  Assim surge o surreal, o fantástico e o hilariante livro Gula – O Clube dos Anjos onde Luis Fernando Veríssimo conta-nos a história de dez homens que resolvem criar uma confraria intitulada “Clube do Picadinho” que tem por objetivo reunir seus membros em faustos jantares gastronômicos regados a bons vinhos, e papos homéricos sobre filosofia, mulheres e tudo o mais.

Tudo começou no bar do Alberi com seu famoso prato de picadinho de carne com farofa de ovo e banana frita onde os amigos reuniam-se para o almoço e bate-papo descontraído. Com o passar do tempo estes amigos resolveram aprimorar seus prazeres gastronômicos e criaram o tal “Clube do Picadinho” e caíram no mundo experimentando inúmeros pratos gastronômicos e seus acompanhamentos de bons vinhos e deliciosas sobremesas. O Clube era formado sempre por Dez elementos (nunca inferior ou superior a dez) e, durante vinte e um anos, uma vez por mês eles se reuniam na casa de um para degustar bons pratos e trocar impressões filosóficas sobre a vida, mulheres, política e assuntos dos mais diversos. Com a morte de Ramos o clube foi perdendo um pouco seu ímpeto e o prazer de estarem reunidos foi dissolvendo-se no tempo. Agora era difícil a reunião e o prazer da convivência.

Levado por Daniel para o Clube do Picadinho, Lucídio prepara um excelente jantar para os membros da confraria. Daniel acreditava piamente que seria possível trazer os bons tempos de volta e reunir os amigos para uma confraternização prazerosa e porque não, reacender o sentido de união do grupo e fortalecer a amizade de todos. Apesar dos elogios unânimes e da satisfação que todos sentiram pelo fausto banquete um de seus elementos morre no dia seguinte. Assim, sucessivamente, um membro do clube vai morrendo após a reunião gastronômica a cada mês. Mesmo correndo o risco de morte, nenhum membro do clube desiste de participar do jantar porque sabe que será uma experiência única, literalmente. Daniel é o único que sobrevive para contar a história da gula de seus companheiros (e a dele próprio, claro) que, mesmo correndo perigo mortal, não desistem de apreciar uma boa e farta refeição.  Uma grande metáfora sobre pessoas fracassadas que se deixam levar por um prato de comida (mesmo que esta refeição seja das mais finas e caras iguarias).

Um livro de mistério, assassinatos e com aquela dose de humor comportamental característico da obra de Luis Fernando Veríssimo. Apesar de sabermos quem é o assassino ficamos intrigados para saber os motivos de tais atos cruéis e a razão porque os membros do Clube do Picadinho resolvem, mesmo sabendo do perigo de morte, aceitar e participar com grande entusiasmo destes banquetes letais. Com humor inteligente e situações inusitadas o livro prende a atenção e nos faz refletir sobre a importância que damos a certos prazeres (a gula) em detrimento de valores mais importantes e de objetivos futuros para as nossas vidas.

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Nelson Mandela está na mídia nestes tempos de Copa do Mundo na África do Sul e, nada melhor que assistir ao filme Invictus dirigido por Clint Eastwood para conhecer um pouco melhor este homem de determinação, coragem e patriota acima de qualquer suspeita. Morgan Freeman na pele de Mandela e Matt Damon como o capitão do time de Rugby Francois Pienaar fazem um ótimo trabalho de interpretação e caracterização de seus personagens reais. O filme, apesar de retratar um esporte pouco conhecido por brasileiros, não chega a atrapalhar ou ser enfadonho já que não é propriamente um filme sobre o esporte, mas sobre a determinação de Nelson Mandela em usar o esporte para unir o povo sul-africano após o fim do regime racista.

No filme o poema de William E. Henley intitulado “Invictus” é citado duas vezes por Mandela uma vez que tal poema serviu de inspiração para que o presidente sul-africano enfrentasse seus medos e serviu-lhe de inspiração para encontrar coragem para lutar e manter-se íntegro como homem. Apesar de décadas na prisão não se deixou abater e, ao sair do cárcere, tornou-se presidente de seu país e, sem rancores, perdoou a todos e resolveu lutar para que seu país deixasse de ser uma nação racista e vingativa.  Abaixo o tal poema na íntegra publicado no site Casa da Cultura.

Invictus

Autor: William E Henley
Tradutor: André C S Masini

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu – eterno e espesso,
A qualquer deus – se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei – e ainda trago
Minha cabeça – embora em sangue – ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda – eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.

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