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Archive for julho \31\UTC 2010

Daniel Filho é um ótimo diretor de cinema, e acima de tudo, um homem sensível que conhece profundamente a alma feminina. Seus trabalhos como: Primo Basílio, A Dona da História, A Partilha e principalmente o seriado Malu Mulher provam sua competência em retratar, com sensibilidade, o universo feminino. Ao assistir ao filme Chico Xavier dirigido por ele fiquei surpreso ao constatar sua maestria também no universo da biografia. O que poderia parecer um filme enfadonho e sem grandes surpresas emotivas tornou-se uma produção muito interessante sob vários aspectos. Claro que contar a vida do médium Chico Xavier ajudou bastante já que se trata de uma pessoa iluminada, de uma vida de bons princípios humanos e de uma bondade sincera e cativantes. Mas filmes biográficos possuem suas limitações e Daniel Filho as enfrentou com competência e brilhantismo. A única coisa que me incomodou um pouco foi aquela forma de contar a história. Talvez se o diretor tivesse optado em contar a história de forma linear (sem aqueles pulos de tempo) teria sido mais agradável de assistir. Cansou um pouco aqueles flashbacks intermináveis. De qualquer forma é um filme que teve um grande apuro na Direção de Arte, Figurinos e é claro na caracterização dos personagens.

Tony Ramos já é figurinha constante nos trabalhos dirigidos por Daniel Filho e confesso que, apesar de ser um ótimo ator, não surpreendeu já que estamos acostumados aos seus gestuais e a sua forma de interpretação. Está na hora de Daniel Filho trocar de ator ou vai parecer que estamos assistindo sempre o mesmo personagem. Sorte que ele não era imigrante. Ouvir Tony Ramos novamente com sotaque seria o fim. A história paralela de Orlando (Tony Ramos) e Glória (Christiane Torloni) que tiveram o filho morto acidentalmente por um disparo de revólver proferido por seu melhor amigo de infância deu a dimensão da humanidade de Chico Xavier ao psicografar uma mensagem de perdão ao suposto assassino. Giulia Gam como a “madrasta má” foi surpreendente e deixou marcas profundas na história e na pele do menino Chico. Ângelo Antônio perfeito como personagem título assim como Nelson Xavier em sua caracterização física de Chico Xavier no período de 59 a 75.

Enfim, para quem não conhecia a biografia do Chico Xavier vale a pena conferir esta nova produção de Daniel filho e constatar, mais uma vez, sua competência como diretor e sua sensibilidade em contar uma história.

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Um suspense psicológico dos mais interessantes

Tenho por hábito jamais ler comentários ou críticas especializadas sobre filmes que ainda não assisti. Até porque, não costumo frequentar mais as salas de cinema por falta de tempo e, como tenho locadora, espero o DVD chegar ao mercado para assistir aos filmes. Como isso ocorre uns quatro ou cinco meses depois que todo mundo já viu no cinema e a crítica já fez seus comentários procuro não deixar-me influenciar e também para não perder as surpresas que o filme me reserva. Gosto de assistir a um filme de mente aberta e olhos atentos e me deixar levar pelo roteiro e pela criatividade do trabalho do diretor em questão. Assim, ao começar a assistir ao filme Ilha do Medo, do grande mestre Martin Scorsese já fiquei atento ao detalhe da trilha sonora pulsante e escandalosamente explícita do suspense que estava prestes a assistir. Quando o carro que transporta Teddy Daniels ao hospital presídio a trilha é arrebatadora e é impossível não se lembrar dos filmes de suspense e terror das velhas produções dos anos 30 e 40. Pensei com meus botões: Bem, será esta produção uma homenagem aos filmes daqueles tempos? Vários minutos depois esta impressão se confirmou com a homenagem a Alfred Hitchock, Briam di Palma e, pode ser exagero meu, mas consegui sentir a presença de David Lynch através da personalidade caótica de Teddy. A confusão deste personagem interessante e sua falta de perspectiva de perceber e diferenciar sonho e realidade, lembranças reais ou confusões mentais são muitíssimo reveladoras.

Em uma cena Teddy Daniels pergunta ao seu parceiro “É melhor viver como um monstro ou morrer como um homem bom?”. Está, como se diz popularmente, matada a charada do enigma dos minutos que faltavam para o término do filme. Não que eu tenha descoberto o final e a reviravolta que veria a seguir, mas era, sem sobra de dúvida, uma grande pista que me deixou com a pulga atrás da orelha. Confesso que fiquei com vontade de rever este filme (e o farei com certeza) tal o impacto que ele me causou. Gosto muito desta temática paranóica e aquele ambiente claustrofóbico que vive o personagem principal. Sua confusão mental e suas lembranças chegam a ser dolorosa para quem assisti. Ter praticado aquela carnificina com os soldados alemães ao libertar os prisioneiros judeus no campo de concentração foi um ato que marcou profundamente sua personalidade e Teddy Daniels deveria viver com esta angústia. Ou fugir deste pesadelo. Aquela fotografia espetacular, aqueles figurinos com suas cores sóbrias, os ângulos de câmeras fabulosos e claro a iluminação perfeita foram responsáveis para caracterizar um ambiente propício para a loucura dos personagens, bem como para transmitir ao espectador toda a pressão psicológica enfrentada por Teddy.

Para quem ainda não viu o filme Teddy Deniels (Leonardo DiCaprio) é um agente da FBI que, juntamente com seu parceiro Chuck Aule (Mark Ruffalo) seguem para Shutter Island Ashecliffe Hospital, em Boston para investigar o desaparecimento de Rachel solando (Emily Mortimer) uma paciente criminosa que teria matado, por afogamento, os próprios filhos. Ao iniciar os trabalhos investigativos no local, relata ao seu parceiro que também está procurando no hospício/presídio Andrew Leaddis (Elias Koteas) o homem que teria assassinado sua esposa. Ao ficarem isolado na ilha em razão de uma tempestade começa a desconfiar que no local devam estar havendo experiências humanas idênticas aos praticados pelos nazistas aos judeus. Lembranças de seus atos como soldado na segunda guerra interferem na sua capacidade descobrir o paradeiro de Rachel. Tais lembranças e o assassinato da esposa levam o espectador a cair em inúmeras armadilhas e a acreditar que descobriu o fim do filme. Mas Scorsese volta novamente a criar novas possibilidades e a desmoronar a certeza do entendimento final e assim, de armadilha em armadilha, vamos sendo guiados pela mão do mestre e seu roteiro muito interessante. Uma obra-prima de Martin Scorsese. Suspense na dose certa em um cenário muito bem construído para deixarmos presos nesta ilha de muitas surpresas e reviravoltas onde a verdade pode ser mais cruel que a imaginação psicótica.

Leonardo DiCaprio está perfeito como o conturbado Teddy Deniels e Mark Ruffalo desempenha seu papel de Chuck na dose certa com uma interpretação quase sutil de quem leva pela mão seu companheiro de investigação. Max Von Sydow como Dr. Reremiah é um achado e dá a esta produção um ingrediente de suspense bastante interessante. Pena que Ben Kingsley como Dr. John Crawley dá algumas pistas e parece ser o personagem mais caricato dos filmes de “cientistas malucos que fazem experiências com humanos” já vistos anteriormente em outras produções do gênero. Mas nada que comprometa.

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Como o próprio nome indica, o filme trata de contar-nos a história de Gabrielle Bonheur Chanel antes desta figurinista de talento ser mundialmente conhecida por Coco Chanel. Mas este talento todo só conheceríamos tempos depois.  Poderíamos supor que esta escolha deva-se ao fato da produção querer deixar de lado a fama propriamente dita da estilista bem como suas relações, prá lá de suspeitas, com o nazismo e seu colaboracionismo à ocupação Alemã na França na Segunda Guerra. Seu envolvimento com oficiais nazistas, seus inúmeros amantes, seus instintos de mulher revolucionária e as motivações que a levaram a ser um ícone, não só de moda, mas de liberação das “amarras” do figurino feminino estão de fora. Ou foram tratados de forma muito simplista e de maneira a tornar esta Coco Chanel mais como um produto do que como ser humano.

Mas vamos então analisar a “história” que nos conta o filme Coco Antes de Chanel dirigido por Anne Fontaine já que foi isto que o filme se propôs a retratar. Gabrielle (Audrey Tautou) é uma menina que fora criada e educada em um educandário. Anos depois sobrevive como mera costureira fazendo bainhas e pequenos consertos de roupas. À noite, para arrecadar mais alguns trocados, dedica-se a ser cantora em bordeis. Neste ambiente conhece um homem de muitas posses chamado Étienne Balsan que a introduz no mundo das pessoas ricas, elegantes e com ele vai ter um relacionamento tumultuado e, acima de tudo, vai observando os figurinos “escandalosamente suntuosos” destas senhoras. Percebe que as mulheres (e ela própria) vivem “amarradas” em seus espartilhos para manterem a cintura fina e seus vestidos que varrem o chão impedido seus movimentos livres e espontâneos. Seu primeiro movimento estilista surge em criar chapéus femininos mais discretos sem plumas, fitas exuberantes e toda aquela parnafenália de ostentação que fazem com que as mulheres usem uma verdadeira árvore de natal sobre as cabeças. Em seguida conhece “Boy” Capel, amigo de Balsan que lhe patrocina seu empreendimento na criação de chapéus e dá-lhe ainda liberdade de criação. Surge então seu segundo movimento de dispensar os espartilhos e libertar as mulheres das amarras e dar-lhes liberdade de movimento. Introduz ainda a calça dos homens ao guarda roupa feminino. Revoluciona assim a moda vigente de ostentação para uma moda mais discreta, mas elegante. Seu “pretinho básico” e sua filosofia de “mais é menos” ganha força entre algumas mulheres e o sucesso começa a acontecer. Tempos depois a casa Chanel surge como ícone da moda feminina moderna com seu estilo único, despojado e elegante.

Audrey Tautou está brilhante no papel de Coco Chanel e a Direção de Arte e Figurinos deram um show de competência. Pena que o filme deixou de lado a personalidade forte de Coco Chanel para centrar-se apenas no lado “bom” da mulher. Vamos considerar então esta produção como a primeira parte da biografia desta mulher revolucionária e quem sabe sejamos brindados com uma produção que retrate toda a personalidade e o caráter desta grande senhora. Afinal, deu para vislumbrar neste filme que existem outras tantas perspectivas de se contar história de Chanel. Quem sabe um filme com o título de COCO CHANEL para que o seu público possa admirá-la na sua amplitude. Com seus defeitos e suas virtudes. Que eram muitas. De ambos os lados.

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Quando estava lá pela metade do filme Um Sonho Possível, dirigido por John Lee Hancock eu estava aguardando que alguma coisa de errado haveria de acontecer e desmontar toda aquela montanha de clichês em que esta produção estava soterrada. Não era possível tudo estar dando tão certo na vida de Michael Oher, o Big Mike (Quinton Aaron). Alguma coisa tinha que acontecer para desestabilizar todo este conto de fadas. Quando houve o acidente de carro em que ele quase mata o caçula da ricaça pensei: Ai está a desgraça que vai dar uma virada na história e mostrar-nos se a tal Anne Tuohy é mesmo uma boa samaritana ou estava só fazendo tipo “ricaça fútil que vira boa samaritana para poder dormir com a consciência tranquila nos seus lençóis de seda ou para impressionar as amigas igualmente ricas e fúteis da sua pseudo bondade”. Pois não é que tudo ficou na mesma e a ricaça ficou mais bondosa do que já era? Santo Deus! Não li o livro que a produção do longa se baseou para criar o roteiro deste conto de fadas do século vinte e um. Mas com certeza não deve ter sido este mar de rosas, não.

Em linhas gerais o filme conta-nos a seguinte história: Leigh Anne Tuohy (Sandra Bullock) é uma ricaça branca de bons princípios cristãos e humanitários, mãe de uma patricinha e de um guri pentelho, casada igualmente com um cara que não fede nem cheira que resolvem acolher na sua mansão um negrão pobre que fora abandonado pela família e que vivia sozinho no mundo. Todos os membros da família não vêem nesta atitude nada de estranho e a convivência é pacífica, bondosa, ordeira e na mais santa paz celestial. O paraíso terrestre, enfim. A Patricinha (com suas colegas de escola igualmente patricinhas), aceita tal convivência numa boa. Esta tem lugar garantido no céu. O caçula, além de serelepe e pentelho, é igualmente um anjo da guarda e recebe o “irmão” de braços abertos (desde claro possa chamar mais a atenção para si mesmo). O Marido? Este não faz nada mais que bancar tudo de bom grado. Afinal a família é cristã, humanitária e a mulher é quem manda e ponto final.  Quanto ao Big Mike ele aproveita para tirar vantagem e viver como bom filho adotivo. É bom que se diga que o Michael Oher é um cara negro que passou a infância fugindo de lares adotivos uma vez que foi tirado de sua mãe viciada e que relegava a educação e mesmo a subsistência de uma penca de filhos. Para se isolar de tudo e todos vive no seu mutismo e aparente indiferença a tudo que acontece a sua volta. Mas ele encontra pela frente esta bondosa família e seu futuro está garantido. Claro que o choro é garantido e igualmente aquela sensação de que bom que exista no mundo gente de bom coração para ajudar os necessitados. Então você segue para o seu quarto para dormir o sono dos justos.

Tudo é tão perfeito neste filme que mais parece um “documentário” de como se tornar uma boa pessoa ou aqueles filmes institucionais de alguma entidade que deseja incutir na audiência a consciência social e a prática da bondade ao próximo. Quando parece que algum drama real vá surgir na tela, o diretor volta sua câmera para a emoção superficial e inverossímil. Ainda bem que ele colocou um pouco de riso neste lençol de lágrimas que é o jovem S.J. (Jae Head) que dá um pouco de refresco quando a coisa começa a ficar insuportável. Sandra Bullock ganhou o Oscar por sua atuação como Leigh Anne Tuohy, mas confesso que não vi nada de mais e achei até bem forçado. Quinton Aaron como Big Mike saiu-se muito bem. Mas o grande barato deste filme foi mesmo Jae Haed com o pentelho S.J. E pensar que tudo isso foi baseado em fatos reais. Bem, pelo menos não choramos à toa e existem realmente pessoas de bem neste mundo. Mas que não deve ter sido assim tão fácil. Com certeza não foi.

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A Guerra e Suas Consequências Familiares

A Guerra no Afeganistão continua rendendo roteiro para Hollywood. Entre Irmãos é mais um filme que trata deste conflito acrescido de todos os traumas psicológicos causados nos soldados e suas respectivas famílias. O Capitão Sam Cahil (Tobey Maguire) é um bom pai de família e apaixonado por sua esposa Grace (Natalie Portman). Tem duas filhas: Izzy (Bailee Madison) e Maggie (Taylor Geare).  Para completar o irmão Tommy (Jake Gyllenhaal) é o que chamamos de “ovelha negra” da família e acabou de sair da prisão para cumprir a condicional. Seu pai, Hank (Sam Shepard), é um oficial do exército reformado que tem predileção por seu filho Sam e um desprezo por Tommy. Ao ser chamado novamente para combater no Afeganistão seu helicóptero é abatido pelo inimigo. Nos Estados Unidos a família recebe a notícia da sua morte. Para manter a família unida, Tommy assume algumas responsabilidades e começa a agir de forma a ser um sujeito respeitável e trabalhador. Seu relacionamento com a cunhada, antes bastante tumultuado, começa a dar sinais de melhora. Até as meninas começam a ter uma boa convivência com o tio problemático. Neste ínterim descobrimos que o capitão Sam Cahil foi capturado e é tido como refém do inimigo. Sofre horrores neste cativeiro e é obrigado a praticar um ato de extrema crueldade que lhe trará futuros problemas familiares e psicológicos.

Ao regressar ao lar encontra a esposa e as filhas já em franco progresso de familiaridade com o irmão. Percebe que alguma coisa está acontecendo e isola-se no seu mundo. Mas a angústia é tanta e a explosão acontece quando sua esposa diz que trocou alguns beijos com Tommy e uma das filhas diz, num jantar em que estão todos à mesa, que a mãe está fazendo sexo com o tio. As lembranças da guerra e o ato que fora obrigado a praticar para manter-se vivo e voltar para a mulher tornam sua vida um inferno. Seu relacionamento muda drasticamente e é internado em um hospital psiquiátrico. Neste segundo ato vamos perceber então todo o conflito existente entre o triângulo Sam, Grace e Tommy bem como as novas possibilidades de relacionamentos familiares.  Interessante notar que todos são afetados pela guerra. Inclusive as meninas que sofrem com a volta de um pai psicologicamente instável e perigoso. Sofre igualmente Grace que agora se encontra numa encruzilhada de amar a dois homens e Sam por ver sua esposa numa situação bastante difícil. Claro que para Tommy também não é nada fácil ter que disputar com seu irmão o direito a também ter uma família que teve por poucos meses.

O filme é bastante verossímil no tratamento dos conflitos, angústias e medos de todos os personagens envolvidos nesta trágica guerra no Afeganistão e no seio de uma família americana. Foge dos clichês habituais e, por isso mesmo, chega a ser comovente em alguns momentos. Palmas para a interpretação de Bailee Madison como Izzy e Tobey Maguire na pele do Capitão Sam Cahil.

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Antes de fazer meu comentário sobre o filme O Amor Acontece, dirigido por Brandon Camp quero deixar bem claro que ADORO comédias românticas e todos os seus clichês possíveis e suas trilhas sonoras melosas e tudo mais. Ou seja, em se tratando de comédia romântica eu gosto do pacote completo. Mas por alguma razão que não sei explicar devo dizer que não gostei deste filme. Bem, dizer que não gostei seria um exagero, mas ele não me “fisgou” se é que você me entende. Por vezes me pareceu que o filme não acabava nunca (forte indício de que alguma coisa estava me incomodando). A química entre Aaron Eckhart e Jennifer Aniston tinha um ingrediente que não dava liga. Sorte minha que o ator John Carroll Lynch, na pele do seu sofrido personagem Walter, deu credibilidade e um pouco de emoção neste mar de coisa nenhuma que foi a relação tumultuada de Eloise (Aniston) e Burke (Eckhart).

Mas para não ficar divagando, deixam-me contar-lhes sobre o que se trata este filme: Burke Ryan é um viúvo que resolveu escrever um livro de auto-ajuda sobre como lidar com a dor da morte da pessoa amada. Como o livro tornou-se Best-sellers ele viaja o país inteiro dando palestras e works-shops para ajudar as demais pessoas a superarem suas perdas. Em Seattlhe ele esbarra, literalmente, na florista Eloise (Aniston) no hotel em que está hospedado. Como em todo romance o início é tumultuado e coisa e tal, mas ela acaba assistindo, por acaso, parte de seu trabalho e resolve dar-lhe uma chance e o relacionamento deles começam e deslanchar. Ao tornarem-se mais próximos Eloise percebe que Ryan caiu na armadilha do “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” e seu livro, que de alguma forma ajuda as outras pessoas, não consegue fazer o mesmo com ele. Apesar do sucesso do livro e das inúmeras “teorias” que ensina a seus leitores como superar traumas humanos não consegue o mesmo efeito em si próprio.

Assim passam os minutos e o filme vai se arrastando com todos os clichês possíveis e o final previsível. Jennifer Aniston mais uma vez está linda com seus olhares lânguidos e tolos fazendo de Eloise um personagem deslocado na história. Aaron Eckhart tenta dar um pouco de credibilidade ao seu personagem, mas se perde pelo caminho. Palmas para John Carroll Lynch que humanizou seu personagem Walter e conseguiu transmitir, de forma emocionante, a dor pela morte do filho. O enredo tinha tudo para ser uma boa história e elementos interessantes de interação entre personagens tão distintos e em situações limites da vida. Mas de alguma forma não funcionou… Quando se começa a contar os minutos que faltam para terminar o filme é sinal de que alguma coisa não está funcionando direito ou que a emoção ficou soterrada em alguma cena (ou várias cenas) indesejáveis. Talvez porque o filme não tenha funcionado como comédia romântica ou talvez não se possa classificá-lo como drama. Ficou no limbo.

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Um libelo à liberdade e a superação de desafios

Sobrevivendo Com Lobos (Direção, Roteiro e Produção de Véra Belmont) é um filme sobre superação e, como o próprio nome do filme indica, de sobrevivência. Misha (Mathilde Goffart) é uma menina judia de oito que vive com a mãe Gerusha (Yael Abecassis) em Bruxelas no ano de 1942. A vida desta família é difícil já que precisam mudar-se constantemente de residência para fugir da Gestapo que caça judeus para mandá-los aos campos de concentração. Entre uma escola e outra a menina vai tentando se adaptar com os novos colegas e com a vizinhança. Sempre escondendo claro o fato de ser judia. Sempre alertada pela mãe da possibilidade de ter que viver longe dos pais cria um código para que Misha possa acompanhar outra pessoa na saída do colégio caso o pai não apareça para buscá-la. Assim, um dia aparece uma senhora que a leva para viver com outra família e descobre que seus pais sumiram. A convivência com a família adotiva é tumultuada e perigosa na medida em que envolve riscos para todos caso a Gestapo descubra o paradeiro da menina. Neste período faz amizade com Ernest (Guy Bedos) um fazendeiro local que supre a tal família com produtos de seu trabalho além de falsificar documentos para a resistência.

A Segunda guerra prossegue e a situação dos judeus começa a ficar perigosa em toda a Europa. Inúmeras famílias são enviadas para campos de concentração e Misha percebe que seus pais também foram presos e encontram-se igualmente em grande perigo. Para não sofrerem represálias e com a possibilidade da Alemanha sair vitoriosa da batalha a família adotiva da menina começa a estudar a possibilidade de entregá-la à Gestapo. Ao ouvir esta conversa foge para a fazenda de Ernest e pede que ele a adote e assim começa a viver em sua companhia. Vive algum tempo na fazenda e recebe de presente uma pequenina bússola e alguns ensinamentos sobre geografia e a situação dos judeus na guerra. Este pequeno instrumento e estas lições lhe serão de grande ajuda na sua jornada em busca dos pais. Quando finalmente os alemães aparecem na fazenda ela foge para a mata e assim começa sua grande jornada em busca de sua família. Durante três anos ela enfrenta os rigores do inverno; a fome; a solidão atravessando a Polônia e chegando à Ucrânia. Neste longo período encontra uma loba branca que lhe faz companhia em parte do caminho. Volta a encontrar a tal loba com sua matilha mais adiante e vive com eles outro período difícil de sua vida. Sobrevive neste longo período comendo carne crua de caças que a loba compartilha com ela, de raízes, flores e pequenos furtos das residências que vai encontrando pelo caminho. Sofre horrores e alucinações tremendas em razão da sua falta de alimentação e por uma dieta tão precária. Consegue chegar novamente em Bruxelas três anos depois em péssimas condições de saúde, desnutrição plena e debilitada de várias formas. Em um posto para refugiados espera reencontrar os pais.

O filme comove pela situação cruel em que a menina se encontra e sua longa jornada pela sobrevivência. Uma fotografia belíssima e direção de arte competente. Mathilde Goffart confere a sua personagem Misha uma interpretação muito acima da média em se tratando de uma atriz infantil. Yael Abecassis empresta uma serenidade e verdade a sua amorosa mãe Gerusha. Guy Bedos como Ernest é a figura de bondade e compaixão. Claro que existem exageros nesta produção já que seria impossível uma menina de oito anos sobreviver, da forma como viveu, durante três longos anos. Enfrentar tudo e a todos sozinha sem nenhum conhecimento de sobrevivência na selva e nos rigores do inverno. Ter ultrapassado inúmeros vilarejos e não se deixar abater ou ficar. Sua decisão ferrenha em seguir viagem mesmo no momento em que tinha a segurança de um grupo de Russos para lhe dar comida, roupas quentes e um certo conforto. A história chega às raias do absurdo a propor-nos a possibilidade de êxito a toda esta jornada por uma menina de apenas oito anos. Felizmente não nos fez acreditar ou nos passar mais uma aventura ao estilo Mogly ou Tarzan. Não é mais um daqueles filminhos de aventura estilo Disney. E isto já é um grande mérito. A Crueza das imagens, o sofrimento palpável da menina e sua obstinação em encontrar a família, nos comovem e torna esta produção um libelo à liberdade e a superação de desafios.

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