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Archive for agosto \29\UTC 2010

Após assistir ao filme Up In The Air, dirigido por Jason Reitman fiquei matutando com meus botões a razão do título em português desta produção: Amor Sem Escalas. O título brasileiro sugere uma comédia romântica ou mais um daqueles filmes “água com açúcar” e tudo mais. Claro que um filme estrelado pelo galã George Clooney (que faz a mulherada suspirar) deva ter influenciado o cara a pensar: “Vou colocar um nome bem bonitinho e romântico para fisgar a mulherada!” Nada mais falso e enganador. Não sou contra as comédias românticas e açucaradas, muito antes pelo contrário. Eu as adoro! Mas não é o caso de Amor Sem Escalas. Com roteiro de Jason Reitman e Sheldon Turner é a história do solitário Ryan Bingham (Clooney) que vive entre um aeroporto e outro como um “Conselheiro de Transição de Carreira”. Eufemismo de executivo contratado para fazer o trabalho sujo de dar o pontapé na bunda de funcionários das empresas americanas uma vez que os chefes não possuem coragem, ou estômago, para este serviço ingrato.

Na primeira cena já somos apresentados a Ryan e a sua especialidade e capacidade em organizar sua mala de viagem de maneira rápida, extremamente eficiente e milimetricamente organizada. Tudo feito com maestria de alguém acostumado a fazer e desfazer malas e acumular milhas e milhas em viagens. Aliás, seu grande objetivo de vida é acumular 10 milhões em milhas. Até seus truques em como evitar filas demoradas em aeroportos na hora do chek-in é motivo de grande orgulho. Suas artimanhas em estar sempre preparado para embarcar no próximo avião e estar satisfeito com tudo isso nos coloca frente a frente a um sujeito prático, sem problemas afetivos algum e sem laços familiares ou de amizades a lhe “pesarem” nas costas. Qualidades estas que costuma propagar em suas palestras motivacionais com grande orgulho.

No decorrer do filme percebemos que Ryan está feliz com sua profissão e plenamente realizado e de consciência tranqüila de ser o cara que chega às empresas e demite pessoas com um sorriso no rosto e palavras previamente ensaiadas e cartilhas impressas motivacionais para deixar o “demitido”’ consolado e motivado a seguir em frente (mesmo desempregado). Como não tem vínculos com ninguém e sua vida é completamente destituída de quaisquer laços humanos mais íntimos, consegue colocar a cabeça no travesseiro à noite e dormir feliz da vida com a sensação do dever cumprido. Para fazer o contraponto a esta filosofia de vida surge no seu caminho asséptico e incolor Nathalie.

Nathalie e Ryan

Nathalie (Anna Kendrick) é uma mulher que também tem como profissão demitir pessoas e foi admitida na empresa de Ryan por ter desenvolvido um sistema para fazer este “servizinho” via internet para evitar o contato pessoal com a “vítima” da vez e reduzir os custos operacionais da corporação em viagens de seus executivos. Mas apesar de todo este distanciamento humano a que ela se propôs profissionalmente, é uma mulher que acredita no amor; nos relacionamentos afetivos estando inclusive, noiva e prestes a realizar seu sonho de casar com o homem da sua vida. Usa este sistema até como defesa para não ter que enfrentar face a face o constrangimento de dar a triste notícia e presenciar a dor alheia. Acompanha Ryan Bingham por algum tempo em suas viagens para aprender o ofício e aprimorar seu sistema. Nestas viagens ambos irão fazer um duelo verbal muito interessante sobre a conveniência – ou não – do casamento, família, relacionamentos e tudo mais.

Alex e Ryan

Para dar equilíbrio a estas propostas antagônicas aparece então Alex (Vera Farmiga) uma mulher com o mesmo estilo de vida de viver em aeroportos e hotéis. Claro que o relacionamento de Alex e Ryan será entre um hotel e outro. Nada muito complexo. Sexo casual, bom papo sobre hotéis e restaurantes e uma companhia agradável para passar o tempo. Suas afinidades são comparar Cartões de Fidelidades de companhia aéreas, empresas de aluguéis de carros e restaurantes. Aliás, interessante notar aqui que na carteira de Ryan não existem fotografias de sua família (pai, mãe, irmãs ou outro ser humano qualquer). Só cartões de crédito e de empresas para acumular milhas e vantagens de serem “Vips” por onde passam. Seu apartamento também é muito prático e vazio. Mais parece um quarto de hotel tal a “funcionalidade” e ausência de calor humano e aconchego. O que pareceria uma convivência harmoniosa e conveniente para Ryan, Alex tem alguns laços familiares e não é tão distante assim dos relacionamentos humanos. Não sabemos muito sobre sua vida além da sua atividade profissional. Mas percebe-se que ela tem onde jogar “âncora” após suas viagens. O que não é o caso de Ryan. Temos assim um extremado anti-social Ryan que jura não o ser já que vive rodeado de pessoas em aeroportos e hotéis (sua concepção de convivência com outras pessoas); Alex uma pessoa que vive no meio-termo de hotel/lar e na outra ponta Nathalie uma pessoa que necessita de família e laços afetivos (apesar da sua profissão a tornar uma pessoa que desfaz vínculos).

Este triângulo “profissional” irá fazer com que o espectador pense sobre a busca da felicidade, os relacionamentos humanos, as escolhas na vida e as razões que temos em viver desta ou daquela maneira. Além é claro de fazer questionamentos sobre a possibilidade de se ser feliz sozinho sem laços afetivos algum. Ryan acredita que sim. Alex vive, aparentemente, da mesma forma, mas não acredita numa vida tão solitária. Nathalia, apesar da profissão, acredita piamente no amor.

O filme é interessante sobre todos os aspectos levantados acima e faz com que o espectador fique atento aos diálogos e discussões sobre estes temas tão relevantes que são os relacionamentos humanos. Ficou muito estranho, e até certo ponto muito contraditório, o momento em que Ryan convence o cunhado – que estava prestes a desistir do casamento – a subir ao altar. Bem ao estilo de “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Como alguém tão convicto no celibato convence alguém a casar? Então ficamos com a pulga atrás da orelha. Mas não por muito tempo. Percebe-se igualmente que Ryan, apesar de toda sua ojeriza ao casamento, em certo momento está disposto a viver com Alex. A cena em que ele aparece à porta da casa de Alex para, com certeza pedi-la em casamento ou mesmo para pedir que ela venha a viver em sua companhia, é ilustrativa. Seu constrangimento e sua tristeza por não realizar este sonho são evidentes e porque não dizer dolorosos.

Para quem não viu os extras do DVD vai aqui uma mostra do quanto esta vivência solitária era mais uma questão de rotina profissional do que propriamente um preferência pessoal. Estava mesmo era muito a fim de ter uma companhia e estava, de certo modo, a procura de sua cara metade. Só não tinha encontrado ainda alguém que o tivesse fisgado. E quando encontrou Alex, suas teorias foram por água abaixo. Mas o diretor Jason Reitman preferiu deixá-lo sozinho no limbo da “felicidade possível”. O que de certa forma foi toda a tônica do filme. Mas nos tais extras do DVD como eu ia dizendo, aparece Ryan adquirindo (ou alugando) um aconchegante apartamento, comprando móveis e o decorando completamente para torná-lo um ambiente muito humano e acolhedor. Inclusive espalhando flores por todos os cantos. Ou seja, estava feliz e disposto a lançar também sua “âncora” em um porto seguro ao lado da mulher amada. Mas confesso, tristemente, que ficou muito clichê realmente e o diretor preferiu excluir esta vivência do personagem (ou mesmo esta ruptura do discurso de toda a trama). Ficamos assim na dúvida se as escolhas deste estilo de vida de Ryan eram suas convicções profundas ou só uma questão de rotina profissional. O Diretor escolheu pela felicidade possível. Ficou coerentemente triste. Ficou ao menos honesto com todo o desenrolar e o discurso da trama proposta pelo roteirista. Outra cena excluída talvez seja parte de um sonho de Ryan em que ele aparece vestido de astronauta chegando ao aeroporto, pegando um taxi e ao chegar ao seu edifício começar a subir e subir como um balão até ver a cidade do alto. Nada mais sozinho que um astronauta. Sua visão angustiada do cenário aos seus pés imaginando talvez as pessoas abaixo com suas felicidades de uma vivência a dois.

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Já revi tantas vezes com “Fale Com Ela” de Pedro Almodóvar que perdi a conta. Mas sempre me emociono profundamente com a interpretação de Caetano Veloso para  Cucurrucucu Paloma. Não sei se é a interpretação do cantor e compositor baiano ou a melancolia do violoncelo. De qualquer, forma é um momento  inesquecível deste filme comovente. (Comentários sobre este filme você encontra neste blog)

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Mais um filme de Vampiros para a prateleira

Em 2019 o planeta é habitado por vampiros e os poucos humanos existentes servem apenas como reprodutores de sangue para alimentar os imortais. Os humanos vivem em laboratórios ou “fábricas” produzindo sangue em que os vampiros fazem suas “coletas” para suprirem suas necessidades uma vez que, sem sangue humano, eles se tornam figuras medonhas, incontroláveis e extremamente violentas. Como a raça humana foi quase que totalmente extinta a população vampiresca está em vias de extinção. Por esta ração, o hematologista vampiro Edward Dalton (Ethan Hawke) e uma equipe de cientistas procuram desenvolver um sangue artificial e evitar a extinção próxima. Equipes militares caçam em todo o planeta os últimos sobreviventes para servirem de supridores do precioso líquido vermelho.

Edward, apesar de ser um vampiro, procura desesperadamente uma fórmula de evitar extinguir a raça humana e não deixar morrer de fome sua espécie. Trabalha para a corporação chefiada por Charles Bromley (Sam Neill) que possui o monopólio pela produção de sangue humano e no desenvolvimento do tal substituto alimentar.

O vampiro "bonzinho" que se tranforma em humano

Elvis (Willem Dafoe) é um vampiro “curado” que luta pela causa humana e sua extinção como raça. Sofreu muito ao ser exposto ao sol em um acidente, mas conseguiu reverter sua condição de vampiro e tornar-se novamente humano. Com Alisson Bromley (Isabel Lucas) e outros humanos viaja o pais a procura de refugiados para salvá-los da fábrica de sangue. Junto com Edward desenvolve um sistema que pode salvar a todos e reverter o processo de transformar a todos novamente em seres humanos mortais.

O filme tem boas cenas de ação e funciona até certo ponto na medida em que a interpretação dos atores ficam relegadas a segundo plano. Muitos efeitos de maquiagem para dar uma roupagem de terror que na realidade não chegam a dar medo nem na minha afilhada de quatro anos. Sam Neill mais uma vez faz caras e bocas e se sujeita a fazer mais um filme regular. Aliás, faz tempo que não vejo um filme decente deste ator. Ethan Hawke não compromete, mas também não deve estar lá muito orgulhoso desta produção. Willem Dafoe consegue convencer, mas ele é um ator mesmo de altos e baixos.

Nestes tempos em que os vampiros estão na moda, mais uma produção para arrecadar mais uns trocados e aproveitar a onda. A única surpresa, e poderíamos dizer o pulo do gato (ou o vôo do morcego) foi que agora os vampiros querem se transformar em humanos novamente. Só um roteirista muito criativo para imaginar a seguinte história: Um vírus transforma a população em vampiros. Um banho de sol depois (sem excesso de exposição para não virar cinza) e o vampiro se transforma em humano novamente. Este humano “transformado” morde outro sanguessuga e este morre ou também se transforma em humano. Assim, entre um banho de sol e outro, uma mordidinha aqui e ali e a raça humana vence a vampiresca toda. Assim, em 2019 a extinção será dos vampiros. Felizmente! Só espero que não tenhamos que esperar até 2019 para que Hollywood coloque seus roteiristas a imaginarem outras histórias.

Vampiro com fome

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Nada se salva neste filme ridículo.

Mais uma vez Hollywood fica nos devendo um filme à altura da mitologia grega! Fúria de Titãs, dirigido por Louis Leterrier é somente mais um filme de efeitos especiais e nada mais. Os personagens são fracos, com diálogos dos mais pobres e rasos possíveis e a interpretação de todos, sem exceção é um porre de dar sono! Nem mesmo os tais efeitos especiais (sempre eles) conseguem ser algo que mereça destaque. Nada do que é mostrado nesta produção é algo novo ou espetacular. Nada que já não estejamos cansados de assistir. Não surpreendem mais. Nem com a tecnologia 3D este filme funcionaria. Uma pena terem gastado tantos milhões de dólares para não acrescentarem nada de novo ou mesmo um filme digno de ser revisto. Vai ficar juntando poeira nas estantes já que ninguém terá vontade de revê-lo algum dia.

É uma perda de tempo falar da interpretação de Liam Neeson como Zeus, Sam Worthington como Perseu, Gemma Arterton como Io. Talvez, digo talvez Ralph Fiennes tenha muito remotamente conseguido dar um pouco de credibilidade ao seu Hades. Todos os personagens aqui citados não merecem uma nota de consideração e muito menos de louvor. Aliás, o diretor não os exigiu e o roteirista os relegou a meros coadjuvantes de uma história ridícula (não a mitologia grega, claro), mas a colcha de retalhos em que transformou a mitologia nesta produção infantil e tola. Verdadeiro filme Sessão da Tarde para crianças olharem enquanto tomam o lanche e a babá folheia revistas de fofocas. Escrevi demais. Chega. Não vale à pena gastar meus dois neurônios nesta produção medonha onde nem os tais efeitos especiais conseguem surpreender.

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David Coimbra é jornalista e editor do caderno de esportes do Jornal Zero Hora além de ser um cronista e escritor dos mais instigantes, inteligente e criativo do Rio Grande do Sul. De um texto agradável de ler e histórias fantásticas (imagináveis ou não) contam-nos histórias e “causos” sobre mulheres, centroavantes, futebol e viagens. Não necessariamente nesta ordem. Claro que nas suas histórias sempre vá aparecer uma mulher estonteante (gostosa mesmo) com suas pernas à mostra em minissaias curtíssimas e suas curvas de levantar defuntos. Também sempre aparecem crônicas esportivas e as manhas e artimanhas dos centroavantes sempre carrancudos e com caras de poucos amigos. David Coimbra é o único escritor/jornalista que faz com que eu leia o Caderno de Esportes da Zero Hora. Sempre muito divertido que usa sua criatividade literária para fazer um texto que só fala de esporte no último parágrafo como a dar certa “moral da história” e finalizar o texto. Muito legal mesmo.

Não foi surpresa nenhuma, portanto que li, com imenso prazer, seu livro Jogo de Damas. Neste livro David Coimbra nos conta a história de grandes mulheres, grandes homens e grandes fatos que determinaram a supremacia feminina. David Coimbra defende a seguinte tese: As mulheres dominam o mundo desde os tempos do Homo Sapiens e que são as reais responsáveis pelo surgimento do que chamamos hoje de civilização. Em 170 páginas de puro humor, pesquisa histórica séria e um texto encantador desfilam as mulheres que, de alguma forma, foram determinantes e poderosas no seu tempo e, consequentemente responsáveis pela supremacia feminina. Enganam-se quem pensa que pertencem ao propalado sexo frágil. Frágil é que não são mesmo!

A história começa há 3,8 milhões de anos, com os macacos saindo das árvores e caminhando sobre dois pés. Surge o “australopithecus Afarensis” e posteriormente o “Homo Neanderthalensis” e o “Homo Sapiens”. Segundo David Coimbra se o Neanderthal era musculoso como um Schwarzenegger e peludo como um Tony Ramos, como foi extinto pelo fraco do Sapiens? A resposta, segundo Coimbra está nas mulheres! Assim, vamos conhecendo as histórias das inúmeras mulheres retratadas no livro começando pela egípcia Rodopé, Messalina, Cleópatra, Lucrécia Bórgia, Catarina de Médicis Rainha Margot, Marta Hari, Lou Salomé  e tantas outras. Claro que surgem também alguns homens importantes nestas páginas como Esopo, Espinosa, Nietzsche Abraão só pra citar alguns. Todavia, sempre em segundo plano ou para evidenciar a supremacia feminina e seu domínio completo.

Uma linguagem simples, divertida, mas com elementos históricos interessantes. David Coimbra mostra-nos como as mulheres foram determinantes no rumo da história, fossem como amantes, assassinas, rainhas ou meras donas de casa. Aliás, foi por serem “donas da casa” que a mulher trouxe o homem para junto de si para formar a família e, consequentemente, o surgimento da civilização e a sua supremacia. Tolo do homem que pensa que é o líder! Tá tudo dominado pelas mulheres, graças a Deus!

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A Revista da Cultura edição número 37 (Agosto/10) publicou uma entrevista interessante com o maior instrumentista brasileiro de cordas de todos os tempos: Antônio Meneses que está completando 53 anos dia 23 do corrente mês. Segundo a publicação, Antonio Meneses resolveu contar sua trajetória em um livro ainda sem título, que será lançado em outubro, com texto dos jornalistas João Luiz Sampaio e Luciana Medeiros.

Violoncelista de respeito e de reconhecida competência internacional tendo, inclusive, tocado sob a batuta do não menos competente e famosíssimo maestro Herbert Von Karajan. Para ler a íntegra da entrevista deste instrumentista clique no link: http://www.revistadacultura.com.br:8090/revista/rc37/index2.asp?page=entrevista

  • Abaixo a interpretação da Bachianas brasileiras n° 5 Aria (Cantilena) – Adagio   (1938/1945) Provavelmente o trabalho mais popular do compositor, tendo sido a mais gravada fora do Brasil. Foi dedicada a Arminda Villa-Lobos. A letra deste movimento é de Ruth Valadares Corrêa, e a composição possui semelhanças com obras como a “Ária” de Bach e o “Vocalise” de Rachmaninov. Ruth Valadares também foi a cantora do movimento durante sua estréia em 1939 sob condução do próprio Villa-Lobos.

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No filme Yantl, Barbra Streissand interpreta Papa Can you hear me? de forma inesquecível e emocionante. Impossível ficar indiferente. Aliás, recomendo o filme que é belissimo na Direção de Arte, Figurinos e é claro no roteiro da própria Barbra Streissand.

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