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Archive for fevereiro \28\UTC 2011

Obrigado, Moacyr Scliar!

O Rio Grande do Sul, o Brasil e o Mundo estão de luto com a perda da convivência deste genial ser humano; escritor brilhante e criativo e, acima de tudo, desta pessoa que muito contribuiu para levar milhares de pessoas ao universo da leitura com sua escrita genial. Infelizmente o ser humano não é imortal, mas a obra de Moacyr Scliar vai permanecer para sempre na mente coletiva de seus admiradores emocionar por muito tempo ainda outras milhares de pessoas mundo a fora que irão tomar conhecimento de sua vasta obra literária. Gerações e gerações percorrerão suas páginas com um olhar crítico, emocionado e nunca indiferente. Assim, este gaúcho será sempre imortal. E assim será!

Agradeço ao querido Moacyr Scliar o prazer que me proporcionou com a leitura de sua obra e as inúmeras emoções que me concedeu com sua escrita. Foi um grande privilégio tê-lo em minha companhia nos momentos em que tive seus livros em minhas mãos.  Foram muitos livros e sempre agradáveis momentos. Pena que não teremos mais aquele momento mágico de folhar um novo livro e descobrir uma nova história de sua mente sempre tão criativa e sua imaginação sempre fervilhante e produtiva. Um escritor que certamente deixará saudade.

Moacyr Scliar será sempre nosso imortal e sua presença espiritual estará sempre conosco através de seus livros na estante e o compartilhamento de suas obras entre seus admiradores, amigos e leitores. Sempre teremos um livro de Scliar para recordá-lo com amor e assim poder agradecer a este homem por seu trabalho de emocionar e criar massa crítica em seus leitores. Seus livros sempre próximos nos darão conforto e companhia. Compartilhe os livros deste gaúcho entre seus amigos e vamos tornar sua obra sempre e muito mais viva ainda!

Para quem nunca leu Moacyr Scliar deixo aqui minhas recomendações de leitura deste genial escritor gaúcho. Tais livros li com grande prazer e realmente recomendo.

Boa Leitura!

 

A guerra no Bom Fim. Rio

O exército de um homem só

Mês de cães danados

O centauro no jardim

Max e os felinos

A mulher que escreveu a Bíblia

Na Noite do Ventre, o Diamante

Um sonho no caroço do abacat

Soturno nos Trópicos

A Orelha de Van Gogh

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Atualmente tenho me dedicado a leitura de livros que tenham a história como pano de fundo. Tanto que os últimos livros que li foram A Ilha Sob o Mar sobre a conturbada história do Haiti, Paixão Índia que retrata a vida da Princesa de Kapurthala, Palácio de Inverno sobre a família do Czar Nicolau II, 1822 que conta nossa própria história na época de Dom Pedro I e por ai vai… Todos com resenhas neste blog. Foi com este espírito re resolvi ler O Enigma do Quatro, escrito a quatro mãos pelos amigos Ian Caldwell e Dustin Thomason que possui como pano de fundo os conturbados tempos do renascimento. Repleto de charadas O Enigma do Quatro conta a história de um manuscrito de autor desconhecido e escrito na mesma época que a bíblia de Gutenberg. Quinhentos anos depois este manuscrito intitulado “Hypnerotomachia Poliphili” ainda é um mistério para seus estudiosos e pesquisadores. Por ser uma obra de difícil compreensão e de autor desconhecido levou muitos especialistas à exaustão para tentar decifrá-lo e compreendê-lo inteiramente.

Hypnerotomachia Poliphili, ou ”O Combate de Amor de Polifilo num Sonho”, é um romance atribuído ao dominicano Francesco Colonna (1433/1527) que fez muito sucesso na época de seu lançamento, mas que atualmente é desconhecido do grande público (inclusive deste que vos escreve). Assim, os autores Ian Caldwell e Dustin Thomason usam esta obra obscura e enigmática repleta de xilogravuras para contar-nos sobre os personagens (ficcionais) que tiveram a obra em mãos para estudo. Entre eles estão os jovens estudantes universitários de Princeton Tom e seu amigo Paul. A narrativa lembra muito outra obra que se utiliza de enigmas para levar o leitor até a última página: O Código Da Vinci de Dan Brown. Todavia, a semelhanças terminam ai. O Enigma do Quatro, apesar de ter ótimos enigmas e retratar de forma fiel a renascença, perde-se na caracterização e textualização dos personagens que são relegados a segundo plano. As histórias paralelas que correm no decorrer das páginas sobre Paul, Tom e seus outros companheiros de quarto na prestigiosa universidade de Princeton se perdem um pouco no emaranhado das pesquisas que realizam para decifrar todas as charadas propostas na jornada de Polifilo à procura de sua amada, Polia. Não que seja uma falha muito grande, nada disso. Eu particularmente fiquei com a impressão que os autores deram mais importância a esta pesquisa propriamente dita e na decifração de todos os enigmas do que contar as motivações dos personagens. Se o objetivo era chegar ao fim do livro com todas as respostas a obra atingiu seu objetivo e o leitor que se contente com isso. Para não dizer que O Enigma do Quatro seja uma obra insignificante e simplista diria que mesmo com esta falha (caracterização dos personagens) vale à pena a leitura até para que o leitor possa vivenciar um pouco aquele clima da renascença e seus personagens históricos e importantes para a humanidade. Claro que Hollywood não iria ficar de fora deste filão e a Warner já comprou os direitos para transformar o Enigma do Quatro em filme.

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Um amigo realmente inseparável

Em tempos de alta tecnologia digital, nada substitui o prazer de folhar um bom livro sentado em uma confortável cadeira ao sol numa manhã de inverno. Ou quem sabe a sombra de uma frondosa árvore no verão. Viajar por suas páginas, decifras seus enigmas, emocionar-se com seus personagens e seus relacionamentos. Enfim… Passar horas e horas mergulhado na mais pura fantasia ou na mais pura realidade.

O Livro é, sem sombra de dúvida, insubstituível. Provavelmente um dos maiores inventos da humanidade. Não requer prática ou habilidade para folhá-lo, lê-lo e se apaixonar perdidamente. Mesmo que você não seja um leitor assíduo, dificilmente você vai passar por esta vida sem ter um nas mãos ou talvez escrever um. Impossível alguém não ter lido um livro que seja na sua curta existência. A não ser é claro que esta pessoa viva na mais pura miséria ou em algum lugar afastado de tudo e de todos e não tenha conhecimento ou acesso a este invento revolucionário e fantástico.

Agradeço a Deus a oportunidade de ter vivido neste tempo em que pude desfrutar da companhia de milhares e milhares de páginas de centenas e centenas de livros. Espero viver ainda um bom tempo para poder apreciar ainda mais a companhia deste meu amigo inseparável.

Salve o Livro!

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A felicidade pode ser efêmera, mas não existe dor que dure para sempre

Já escrevi aqui neste blog que sou fã de comédias-românticas bem açucaradas e tudo mais. Foi com este espírito que resolvi assistir (500) Dias Com Ela dirigido por Marc Webb. Ledo engano meu. O filme até tem um pouco de comédia, claro. Muito de romance e discussões a cerca de relacionamentos homem/mulher. Isso mesmo, nesta ordem: Homem discutindo a relação com a mulher amada! Bem, já deu pra perceber que o filme inverteu a ordem natural das coisas ou aquilo que estamos acostumados a assistir em filmes românticos ou comédias leves. E para ser sincero, saiu-se muito bem neste propósito. Pelo título do filme já foi possível perceber a inversão de perspectiva narrativa bem como a inversão de valores visto que o homem é que terá seus sentimentos e aprendizados colocados entre parênteses! Aliás, uma narrativa nada linear uma vez que os dias apresentados na tela transcorrem sem uma ordem cronológica. Mas não se preocupe: de fácil compreensão em uma edição muito criativa. Uma visão um tanto quanto heterodoxa (se é que se pode usar esta palavra para uma simples resenha cinematográfica) das motivações e sentimentos amplamente aceitos (e inúmeras vezes repetidos) nos roteiros dos filmes classificados como “água com açúcar” ou “garota procura garoto para romance de final feliz”. Só que neste caso e nesta produção em particular, sob o olhar masculino.

Interessante que o título também já nos dá uma dica de como será o final do filme e o abandono do personagem principal da história e a sua desilusão com a perda do seu grande amor. É eu sei, contei o final do filme… Mas a culpa não é minha e sim do título e acredito intenção real de seus roteiristas! Mas não é um filme triste. Longe disso! Afinal, a vida é feita de perdas e ganhos e o espectador é convidado a entender (ou vivenciar) esta incrível história de amor sob a perspectiva masculina. Neste particular é que o filme é honesto, íntegro e, acima de tudo, sem utilizar de artificialismos e fáceis clichês. Ao colocar a premissa logo no início da projeção e no título do filme o espectador é convidado a não esperar os créditos finais para saber os destinos do jovem casal, mas a vivenciar a experiência de um romance fracassado e, em consequência, crescer como ser humano. Ou quem sabe mesmo tentar entender os motivos que levaram o casal a ter esta ou aquela atitude perante o relacionamento a dois. O que não deu certo? Onde o amor falhou? A culpa foi de quem? Procurar respostas para estas e outras perguntas é a intenção do filme e o espectador vai vivenciar estas questões e sofrer (e ser feliz) com Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt) nos 500 dias em que amou e viveu ao lado de Summer Finn (Zooey Deschanel). Quinhentos dias entre parênteses, não se esqueçam!

Tom Hansen é um arquiteto formado que trabalha como escritor de cartões de felicitações em uma empresa de Los Angeles que no dia 8 de janeiro conhece Summer Finn a nova assistente do seu chefe. Amor à primeira vista, claro! Assim começa o primeiro dia. Ele é um cara romântico que acredita no verdadeiro amor, em relacionamentos sérios e duradouros e coisa e tal. Summer é uma mulher moderna, independente e completamente alheia a estas questões afetivas e que possui uma visão bastante liberal sobre relacionamentos, sexo e amor. Aliás, ela não acredita no amor e seus casos e encontros são puramente sexuais e efêmeros. Summer possui a mentalidade da maioria dos homens você deve estar pensando. Pois é… Aqui os papéis se invertem e quem gosta de discutir a relação é ELE e não ela! Para Summer é só um caso de verão e nada mais (Será este apenas um trocadilho infame dos roteiristas?).

Entre idas e vindas o casal vai levando a vida e o relacionamento se fortalece em determinado momento para enfraquecer em outro. A cena em que retrata o dia seguinte da primeira transa deles é simplesmente hilária e vai ficar como antológica da sétima arte. Todo mundo que teve na cama a pessoa amada (e perdidamente desejada) com certeza sente-se como se estivesse a bailar pela rua indiferente a multidão. Até mesmo ver passarinho azul deve ser coisa normal em momentos de extrema felicidade. O mundo se torna mais colorido, as pessoas mais simpáticas e tudo parece que vai dar certo. O tempo passa e Tom Hansen percebe que sua namorada (seria mesmo sua namorada?) possui um comportamento despojado demais para suas pretensões sérias de levá-la ao altar. Summer não é uma garota de guardar opinião e diz na lata o que lhe vem à mente colocando seu parceiro em verdadeiras arapucas e em situações constrangedoras (para não dizer de puro sofrimento e angústia). Mas o amor é mais forte e ele tenta, desesperadamente, não perdê-la.

Outra cena antológica (com certeza será repetida em outros filmes) é a perspectiva que a pessoa que ama tem em relação à realidade dos acontecimentos que envolvem a pessoa amada. Quem ama sempre tem expectativas favoráveis ao futuro do romance o que nem sempre acontece na realidade. Na cena em questão Tom é convidado a participar de uma festa na casa de Summer e neste momento a tela se divide em duas. De um lado assistimos as “Expectativas” de Tom em relação a este reencontro e tudo o que ele gostaria que acontecesse nesta festa que seria reatar o romance e ser o centro das atenções da mulher amada. Porém, o que se vê na outra metade da tela é justamente o contrário. A “Realidade” é mais crua e dura e é impossível não sentir uma pena enorme deste homem apaixonado e uma raiva imensa desta mulher insensível. Para piorar as coisas ele descobre que ela está noiva de outro cara! Ele deve ter pensado: “como assim?” A mulher sempre argumentou contra união estável e tudo mais e de repente ela vai CASAR com outro? O coitado sai em disparada da festa e o seu mundo desaba.

Sofrer por amor é duro. Ser abandonado quando se está perdidamente apaixonado mais cruel ainda… Mas a vida continua e é preciso seguir em frente. Por não ser uma comédia romântica padrão o filme retrata apenas uma fase na vida de um cara que se apaixonou pela mulher errada que nem de longe é sua alma gêmea. Solidão, abandono e a dura realidade pela frente. Assim ele larga o trabalho de fazer cartões de amor e felicitações vazias e sem sentido (isso ele descobre depois) e vai procurar emprego como arquiteto. Outra grande ironia do roteiro. Enquanto Tom dedicava sua vida a escrever sobre amores, felicidades e confraternizações em cartões para enamorados anônimos seu destino tratava de impor-lhe outra dura realidade. De tanto escrever sobre felicidade acreditava, sinceramente, que encontraria sua alma gêmea e então também teria direito a receber seus cartões em datas festivas. Um cara que sabe escrever sobre o amor deveria saber conquistar a mulher amada. Mas não foi o que aconteceu como se viu. Quando finalmente resolve dedicar-se a projetar “sonhos reais” (liberdade poética minha) e a desenhar linhas em ferro, concreto armado e a fazer cálculos matemáticos o amor, finalmente, bate-lhe na porta. Assim é a vida! Nada melhor que um novo amor para esquecer um amor perdido.

Gostaria de abrir outro parêntese aqui (como tantos parênteses neste texto e no próprio título do filme). Ou um novo parágrafo como queiram. Enfim… Gostaria de acrescentar que ao assistir (500) Dias Com Ela tive a impressão de estar assistindo um filme de época. O figurino; os cenários; a fotografia; os gestuais dos atores, tudo me levava a crer que a história de Tom e Summer se passava na década de 60 ou 70. Claro que as cores utilizadas no filme não eram berrantes ou caleidoscópicas como naquela época. Mas o corte das roupas, a fita no cabelo da Summer; o colete inseparável de Tom; o madeiramento do escritório e os prédios sempre antigos retratados nas ruas de Los Angeles me levaram a ter esta impressão. Até o relógio que o despertava para a triste rotina era um modelo bastante antiquado (ou me pareceu no momento) e a loja onde só apareciam discos de Vinil. Levei um susto, porém quando vi a cena em que Tom e sua jovem irmã estão a se divertir em uma partida de vídeo-game em um aparelho de última geração com joystics sem fio! Pelo visto só eu tive esta impressão de “filme de época” já que não li nenhum comentário neste particular dos meus amigos que viram o filme.

Para os que estão a chorar rios de lágrimas neste momento por um amor perdido ou não correspondido esta história é bastante ilustrativa e mostra que nem tudo está perdido e que este momento de sofrimento é passageiro. No futuro irão perceber que a dor não era tanto assim e que aquele amor na realidade foi mesmo é superestimado (ou não… vai saber). Para usar um velho clichê diria que “o tempo cura todas as feridas”.  Se existe uma lição de vida para ser aprendida neste filme (e sempre se aprende alguma coisa em produções com esta qualidade e honestidade) esta lição poderia ser resumida numa frase: A felicidade pode ser efêmera, mas não existe dor que dure para sempre. O clichê é meu, podem atirar as pedras!

 

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Clarice Lispector é uma daquelas escritoras (e são poucas) que você lê e fica com seu texto martelando na sua cabeça e aquela sensação de dor no estômago.

Ninguém sai ileso após ler Lispector assim como ninguém fica indiferente a uma martelada no dedo! Dá realmente fontade de dizer um palavrão e sair gritando mundo a fora pela dor causada (pela martelada no dedo) e chorar de indignação (em alguns textos) , de perplexidade (em vários textos) e de sensibilidade (em todos os textos) desta mulher pensante e contestadora. É bom pensar que temos uma escritora como Clarice.

Abaixo um texto de Clarice Lispector para sacudir esta Quarta-Feira nebulosa!

Dep0is, durma se for capaz!!

 

Pertencer

Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.
Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.
Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de “solidão de não pertencer” começou a me invadir como heras num muro.
Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos – e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força – eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.
No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram por eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança.
Mas eu, eu não me perdôo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido.
A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!

Clarice Lispector

 

Algumas fotos e imagens de Clarice Lispector com uma boa trilha sonora!

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A musicalidade emocionante deste negro fantástico!

Sábado é um dia especial para donos de locadoras mundo a fora. Sábado chovendo então é o paraíso! Mesmo em tempos de pirataria uma chuva fininha num sábado ajuda bastante para ouvir o barulho das moedas a tilintar na caixa registradora. Claro que o ideal seria ficar em casa. De pernas para o ar a ouvir uma boa música ou ver um bom filme… Nada de trabalhos num sábado chuvoso. Mas enfim o que me cabe neste momento é trabalhar e trabalhar já que a aposentadoria ainda não despontou no horizonte. Se eu fosse Deputado ou Senador já estaria aproveitando a vida com meros quatro anos de pouco trabalho. Mas sou um reles contribuinte do sistema previdenciário brasileiro e são preciso 35 anos de contribuição e, bem… É melhor deixar pra lá para não desanimar. Mas não era sobre aposentadoria que eu estava falando e sim de um sábado chuvoso.

Para colocar um pouco de sol nesta nebulosidade toda nada melhor que ouvir B.B. King com sua voz maravilhosa e sua guitarra extraordinária. Aliás, hoje resolvi ouvir só B.B.King para levantar o astral e não me deixar cair na nostalgia e assim enfrentar um dia inteiro de trabalho. Pelo menos terei boa companhia e boa música. Salve este negro fantástico e sua incrível capacidade de emocionar-me com sua arte!

Para não dizer que sou egoísta segue alguns vídeos para que os amigos também possam levantar o astral e chegarem ao fim do dia agradecendo aos céus pela existência de B.B.King.

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Judie Foster é uma excelente atriz. Até mesmo em um filme rodado inteiramente dentro de um avião é possível sentir a força dramática desta mulher. O filme no caso é Plano de Vôo dirigido por Robert Schwentke.  Mais uma vez o inimigo a ser vencido é uma aeronave ou mais precisamente, dentro de uma. Parece que depois do atentado de 11 de setembro Hollywood resolveu exorcizar o pânico nacional que todos possuem em se tratando de aeroportos, aviões e terroristas. Neste particular, não é um avião qualquer, mas a última palavra em tecnologia voadora. Por isso mesmo, mais perigoso. Judie Foster consegue transmitir toda a emoção, aflição e o suspense claustrofóbico numa situação limite de terror psicológico. Peter Sarsgaard, infelizmente, não conseguiu, a meu ver, ter a mesma competência interpretativa e seu personagem ficou à margem, apesar de ser um elemento importante no desenrolar desta trama bem articulada.

Kyle Prat (Judie Foster) é uma engenheira de aviação e está levando o corpo de seu falecido marido da Alemanha para ser enterrado nos Estados Unidos. Está acompanhada de sua filha de seis anos, uma garota extremamente sensível e que dá sinais de traumas psicológicos. Mãe e filha passam alguns ansiosos momentos juntas, uma acalmando a outra na tentativa de superar a perda do pai e marido. Após acordar de seu sono, Kyle percebe que sua filha não está mais ao seu lado. Começa então uma procura desesperada pela garota por todo o avião. Precisa provar para a tripulação e para os passageiros que não está ficando louca uma vez que tem certeza do embarque com a filha. Como tem conhecimento dos compartimentos e de toda a estrutura da aeronave, começa sua busca a princípio sozinha, depois acompanhada de toda a tripulação. Apesar das inúmeras tentativas Júlia não é encontrada e Kyle é informada, pelo capitão, que sua filha já estaria morta antes do embarque. Para provar tem em mãos um comunicado do Hospital onde seu marido também estava internado. Sentindo-se transtornada emocionalmente e por medida de segurança é algemada e levada, sob custódia, para a sua poltrona pelo segurança da companhia aérea.

Evidentemente que ela não aceita tais fatos. Sabe que sua filha não morreu e que embarcou em sua companhia no avião. Percebe que pode estar havendo algum plano para ferir Júlia e resolve agir. Consegue convencer o segurança a deixá-la ir ao banheiro após uma consulta com uma psicóloga que estava a bordo. Como conhece a estrutura do avião, sai pelo teto do banheiro e faz com que as máscaras de oxigênio saiam de seus compartimentos causando tumulto entre passageiros e tripulação. Causa ainda uma pane nos circuitos da nave deixando-a completamente às escuras. O segurança percebe que sua prisioneira fugiu e que é a responsável por todo o tumulto.  Precisa agir antes que seja tarde e uma tragédia aconteça a mais de 40 mil pés de altitude.

Judie Foster sempre faz a diferença em qualquer produção

Acontece então uma reviravolta na trama que não é possível revelar aqui para não tirar o impacto da descoberta. O importante é salientar que o filme consegue manter sempre uma tensão crescente e as dúvidas sobre a loucura ou não de Kyle é uma questão que paira no ar, literalmente.  Estaria Júlia realmente morta antes do embarque? Qual o propósito deste desaparecimento e quem teriam interesse neste fato?  Tais questionamentos nos levam sempre a outras perguntas cujas respostas iremos encontrar no final desta produção muito bem dirigida por Robert Schwntke. Ao descobrir a verdade,  Kyle percebe que caiu numa grande armadilha e precisa, urgentemente, salvar sua filha e os demais passageiros do grande perigo.  Plano de vôo é, sem sombra de dúvida, um bom plano para deixá-lo grudado na poltrona até o fim.

 

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