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Archive for abril \30\UTC 2011

A guerra civil teve início após um pronunciamento dos militares rebeldes, entre 17 e 18 de julho de 1936, e terminou em 1° de abril de 1939, com a vitória dos rebeldes e a instauração de um regime ditatorial de caráter fascista, liderado pelo general Francisco Franco. O Orfanato de Santa Lúcia administrado por Carmem e pelo professor Casares é uma instituição de caridade que abriga crianças órfãs ou de crianças cujos pais estão lutando na sangrenta batalha. Santa Lúcia está localizada numa região bastante afastada da metrópole em um deserto de sol escaldante onde só existe vento e poeira. É Neste momento histórico da Espanha e neste ambiente abandonado por Deus e por todos que o personagem Carlos surge no filme A Espinha do Diabo, uma produção espanhola dirigido brilhantemente por Guilhermo Del Toro e produção de Pedro Almodóvar.

Ao chegar ao orfanato, Carlos (Fernando Tielve) é recebido pelas demais crianças com certa desconfiança, mas consegue fazer alguns amigos já que trouxe em sua bagagem alguns gibis. Ao ser conduzido ao dormitório e ser instalado na cama número 12 o garoto descobre que o mesmo leito fora ocupado anteriormente pelo jovem Santi assassinado em situação misteriosa e nunca encontrado. Santi costuma assombrar o local com sua fantasmagórica aparição e a produzir seus gemidos de lamento e dor. Carlos resolve investigar estes fatos e, apesar do medo que sente do fantasma, procura saber o que houve e quem seria o seu assassino. Apesar de ter uma boa convivência com os outros internos uma rixa se estabelece já no primeiro dia de chegada ao local com o manda-chuva da área: O rebelde Jaime (Iñigo Garcés). Esta batalha de egos e de liderança do grupo faz com que Carlos tenha que lutar por sua sobrevivência e por manter-se íntegro física e mentalmente.

A diretora Carmem (Marisa Paredes) é uma senhora de idade que, além de administrar o orfanato, também atua como rebelde na guerra civil escondendo ouro para a causa dos insurgentes. O professor de ciência Casares (Federico Luppi) que nas horas vagas trabalha como médico do local é o elo de ligação de Carlos com os outros personagens da trama. Jacinto (Eduardo Noriega) e Conchita (Irene Viseto) também trabalham no Orfanato e fazem parte da trama paralela que vai decidir o rumo das crianças no fim da história. Apesar do clima sombrio e fantasmagórico A Espinha do Diabo, não se limita a ser somente uma película de terror. A maldade de Jacinto e sua relação com Carmem revelam muito mais coisas do que aparentam na superfície. O amor platônico de Casares por Carmem e a relação dela com Jacinto transforma este triângulo amoroso em um conflito de conseqüências imprevisíveis. Neste ambiente cruel e desolador Carlos precisa encontrar forças para sobreviver e tentar descobrir o que a areia do deserto encobre. A bomba que fora jogada pelas forças antagônicas e que está “inativa” no pátio do orfanato é um lembrete claro e inequívoco que a morte ronda e que a desgraça pode causar destruição a todos. Este símbolo de morte está a, todo o momento, interagindo com todos no Orfanato e para o espectador serve como ponto de referência e um lembrete da guerra, da morte e da perda da inocência.

Guilhermo Del Toro faz um trabalho brilhante e deixa o espectador sempre atento ao desenrolar da trama. O cenário desértico, com aquelas cores que, apesar do calor escaldante que transmitem, evoca uma solidão e a um abandono desesperador. A trilha sonora também compõe um quadro de suspense eficiente e perfeito.  A interpretação de Marisa Paredes é inquestionável e o jovem Fernando Tielve carrega o personagem com competência e eficiência interpretativa. Vale à pena conferir mais este trabalho de Guilhermo Del Toro.

Cenas do filme A Espinha do Diabo

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Contato Visual da escritora Cammie McGovern é um livro de suspense com uma trama bem articulada e uma narrativa bastante inquietante, quase claustrofóbica, sobre o assassinato de uma menina ocorrido no bosque próximo à escola. A única testemunha do crime é Adam, uma criança de nove anos que foi encontrada junto ao corpo de Amélia. Seria fácil descobrir o culpado de tão bárbaro crime não fosse Adam um autista. Vivendo no seu mundo particular, indiferente a tudo e a todos Adam não é uma testemunha fácil de ser investigada e inquirida e saber o que aconteceu é um grande problema para a polícia e para a população da pequena cidade. Como resolver este assassinato (e outras questões) é o que leva o leitor a devorar, página por página, este livro instigante.

Cammie McGovern (a escritora) é mãe de um autista na vida real e escreve com convicção as angústias e sofrimentos de Cara (a personagem) e suas relações e interações com seu filho autista Adam na ficção. Única testemunha ocular do crime o jovem não tem a menor noção de realidade e não imagina o que está ocorrendo a sua volta. A polícia não tem como fazer para que Adam relate o que ocorreu no bosque já que ele é recluso em seu mundo silencioso. Pouco falante, até mesmo em seus melhores dias é de pouca (ou nenhuma) ajuda para desvendar o crime. Cara tenta decodificar os intrigantes eventos uma vez que seu filho nunca quebrou regras antes e fica perplexa em saber que ele foi encontrado no bosque com uma garotinha tão longe do pátio da escola. Como ele foi parar lá? Que relação ele tem com Amélia já que não nunca interagiu com ninguém antes? Cara precisa ajudar a polícia em interpretar as mudanças de comportamento do filho e assim desvendar o crime. Mais do que isso, ela precisa ajudar o filho já que passou toda sua vida a abrir os caminhos de comunicação de Adam com o mundo exterior.

Mas não é só sobre este crime que Cammie McGovern escreve em Contato Visual. Na realidade são três histórias paralelas que se entrelaçam no decorrer da trama. O passado de Cara e sua amizade com Suzzete, uma mulher que se isola do mundo sofrendo da síndrome do pânico. Tomamos conhecimento também dos tumultuados romances da protagonista e sua gravidez. O leitor é convidado a conhecer igualmente as histórias dos alunos da escola Woodside Elementary School e suas relações com colegas e todo este universo. Além do próprio assassinato, o que assusta nesta história, é a prática de Bullying onde alunos de tão tenra idade fazem maldades tão atrozes aos seus colegas e outros vivam neste pânico por tanto tempo sem que ninguém (pais e professores) tenha consciência de tais práticas nefastas.

Muito mais que uma simples narrativa de suspense policial para descobrir quem é o assassino Cammie McGovern nos convida a conhecer uma história da relação complexa entre uma mãe e seu filho autista. Uma história de dedicação, paciência e, acima de tudo, de um amor incondicional e verdadeiro. Emoção e suspense em um livro que é difícil de parar de ler antes da última página.

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Mike Nichols resolveu contar uma história de amor. Mas não pense tratar-se de um filme fácil, tipo água-com-açúcar para assistir com a namorada e depois sair incólume do cinema. Nichols conta esta história de uma forma bastante cruel e impactante. Sem falsos moralismos ou superficialidades. Sua lente de aumento mostra-nos a dor da separação, a difícil convivência entre casais que se amam (ou se odeiam). Relacionamentos sempre no fio da navalha entre a verdade (que nem sempre redime) ou a mentira (que atormenta, mas que aproxima). Quatro destinos que se cruzam, como no poema de Drumond: Alice que amava Dan que amava Anna que amava Larry … um círculo de amantes e relacionamentos conflituosos de diálogos sarcásticos onde a verdade pode não ser a melhor escolha. Tudo muito perto. Perto demais como sugere o título deste ótimo filme.

Natalie Portman numa interpretação louvável!

Alice a personagem mais enigmática do filme (brilhantemente interpretado por Natalie Portman) consegue ser ao mesmo tempo a vítima inocente de um amor não correspondido e causador de sofrimento pelo amor conquistado. Sua identidade verdadeira é segredo e só no final do filme percebemos que era a única pessoa que se manteve fiel à sua verdadeira identidade. Mesmo quando estava nua e aparentemente desprotegida, conseguiu controlar a situação e mostrar sua verdadeira face e personalidade.

O mais cínico e cruel jogador neste troca-troca todo de relacionamentos é Lar que consegue ser o grande articulador e que melhor usa sua metralhadora giratória de palavras para ferir aqueles que ama ou que odeia.

Dan por sua vez é o conquistador barato que acaba caindo na sua própria armadilha. Don Juan de frases prontas e atitudes por vezes levianas, acaba sofrendo na mão das duas mulheres já que não consegue lidar muito bem com a verdade e menos ainda com a mentira.

Anna é o centro gravitacional destes destinos. Causa e conseqüência das alegrias e tristezas dos demais e de si própria. Não consegue amar ou ser amada verdadeiramente nem por Larry (que a usa) nem por Dan (que a subestima).

Mas apesar do filme destilar tanto fel e sofrimento, não é um filme amargo e rancoroso. Existem momentos sensíveis e de completo encantamento quando se está apaixonado em início de relacionamento amoroso e finalmente encontramos nossa cara-metade. Mas nem tudo são flores neste caminho e Nichols mostra esta faceta e esta transformação de forma a não conceder perdão a ninguém. Como numa ópera: onde tudo é sublime e trágico. Assim como do livro de Dan “O Aquário” ficamos nós como meros observadores dos destinos destes personagens complexos. Talvez possamos aprender alguma coisa após duas horas do mais puro filme romântico adulto e sem concessões dos últimos tempos. Nichols é um mestre e fez um verdadeiro filme de interpretação de atores. Júlia Roberts (Anna) está soberba. Jude Law (Dan), como sempre, impecável. Mas o que surpreende mesmo é a interpretação de Natalie Portman (Alice) e Clive Owen (Larry).
Uma das cenas mais impactantes do filme: Alice Ayres – the paradise suite

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Spinalonga (Também conhecida como Kalidon e Καλυδών em Grego) é uma pequena ilha a leste de Creta (Grécia) e a poucos metros da vila de Plaka. Entre 1903 e 1957 foi uma colônia para leprosos vindos de toda a Grécia já que a doença tinha um estigma muito forte naquele período e os enfermos eram obrigados a viverem isolados da sociedade e afastados da convivência familiar. Acreditava-se que a hanseníase fosse altamente contagiosa e que o simples contato com pessoas doentes fosse um risco a todos os membros da família e aos vizinhos. A hanseníase é chamada de “a doença mais antiga do mundo“, afetando a humanidade há pelo menos 4.000 anos. Os primeiros registros escritos conhecidos encontrados no Egito, datam de 1.350 a.C. Com um histórico destes e por medida de precaução, temor e ignorância os leprosos na Grécia eram desta forma segregados em Spinalonga. Desde 1962 a ilha está desabitada.

Spinalonga - Entre 1903 e 1957 foi uma colônia para leprosos

A escritora Victória Hislop descreve assim seu livro:

“A Ilha é uma história de amor passada na Grécia. É também uma história de estigma, perda e redenção”  

Alex Fieldings é uma jovem que desconhece completamente a história da sua família e seus antepassados. Sua mãe Sofia e seu pai Markus evitam comentar assuntos familiares e a revelar seus segredos. A única coisa que Alex sabe é que a mãe nasceu e cresceu numa pequena aldeia chamado Plaka na ilha de Creta antes de mudar-se para Londres. No momento em que precisa tomar uma decisão que poderá alterar sua vida, Alex decide descobrir o passado de sua mãe e parte para Creta. Sem outra alternativa, Sofia entrega a filha uma carta que ela deverá entregar a sua antiga amiga Fotini que vive em Plaka para que essa possa contar-lhe toda a verdade de sua família e assim desvendar os segredos guardados por tantos e tantos anos.

Ao chegar ao vilarejo avista a ilha de Spinalonga e resolve fazer uma visita ao local já que Fotini estava ausente no restaurante que mantém em Plaka. A ilha estava completamente abandonada como uma verdadeira cidade fantasma. Ao regressar descobre que a ilha fora uma colônia de leprosos e que sua bisavó Eleni Petrakis contraíra a doença e fora levada a viver na ilha. Aos poucos Fotini foi desvendando os segredos da família Petrakis.

Eleni Petrakis era uma professora muito amada por seus alunos e por todos os habitantes do pequeno vilarejo. Seu esposo Petrakis um humilde pescador que também levava mercadorias para a ilha dos leprosos e, quando preciso, também os doentes que para lá eram designados. Tinham duas filhas: Anna e Maria. Anna era uma garota voluntariosa, egoísta e tinha um sonho de casar com um homem rico e mudar-se do lugar e não ser obrigada a fazer trabalhos domésticos. Maria era o oposto da irmã. Trabalhadora, meiga e responsável para manter a paz e a ordem no lar dos Petrakis. Tinha adoração pelo pai e pela irmã. Evidente que não era correspondida por Anna. Quando a mãe contraiu lepra e foi obrigada a mudar-se para a ilha a situação da família piorou muito já que Giorgis não tinha a menor noção de como manter um lar e a dar continuidade na educação das meninas. Graças à dedicação de Maria a situação foi se normalizando e a vida continuou seu curso. Enquanto isso Eleni teve sua quota de sofrimento com o desenrolar da doença e a sua nova vida na ilha. Lá também lecionou para as crianças e fez novas amizades. Sua doença só piorou com o tempo e 14 anos depois faleceu. Foi enterrada no mesmo lugar onde todos os moradores eram sepultados. Sem identificação ou túmulo. A dor foi intensa para Giorgis e as duas filhas. Mas o tempo tudo cura…

Anna cresceu e tornou-se uma linda mulher cortejada pelos jovens do vilarejo. Em uma festa religiosa muito festejada em Plaka conheceu Andreas Pandoulakis filho de Alexandros e Eleftheria ricos fazendeiros da região e patrões de muitos moradores do local. Casaram poucos meses depois com pompas e circunstâncias que exigem o cerimonial de uma família rica. Anna finalmente saiu da sua terra natal para viver como dama da alta sociedade cretense. Cortou os vínculos com a família e raramente dava notícias ou aparecia na vila. Nove anos depois nasce sua filha Sofia para alívio da família Pandoulakis que estava ansiosa por um herdeiro. A alta sociedade cretense comemora o acontecimento.

Maria Petrakis assumiu os cuidados do pai e a levar adiante os trabalhos de manter o lar em perfeitas condições. Ajudava o pai com o barco quando este fazia transporte de mercadorias para Spinalonga. Sua melhor amiga Fotini também casara e agora era dona de um pequeno restaurante. Mais uma vez a doença aparece nesta família já tão dilacerada e Maria também é obrigada a ser levada pelo pai para ir viver na ilha dos leprosos um mês antes de casar-se com o primo de Andreas o jovem Manoli. A família Pandoulakis corta relação com os Petrakis porque desconheciam que a mãe de Anna morrera com lepra e que a irmã agora contraíra igualmente a doença. Uma humilhação para os ricos fazendeiros. Na ilha Maria faz tratamento com o Dr. Nikolaus Kyritsis que desenvolveu uma nova droga para a cura da lepra. Quatro anos após chegar a Spinalonga, Maria e os outros habitantes do local recebem autorização do governo para abandonarem o local já que a nova medicação evita que a doença avence e a cura se estabeleça

Andreas é administrador da fazenda da família e vive sempre no campo e a viajar para aumentar as posses do pai e sua herança. Não desconfia que seu primo Manoli esteja flertando com sua esposa e por ela correspondido. Ao descobrir a traição resolve vingar-se de Anna na festa que está acontecendo em Plaka com o retorno dos doentes da ilha para os braços de seus familiares. Livre da doença Maria casa com o Dr. Nikolaus e muda-se para outra região de Creta próxima a Plaka para que possa visitar com assiduidade o pai. Ao Com a morte da mãe e a prisão do pai Sofia, aos três anos de idade é adotada por Maria e o Dr. Nikolaus Kyritsis já que seus avós estão velhos para assumirem tal responsabilidade.

Sofia cresce acreditando que é filha de Maria e Nikolaus até o dia em que resolve cursar a faculdade na Inglaterra e então descobre a verdade de sua origem e quem realmente são seus pais. Revestida de indignação e ódio resolve então morar na Inglaterra e corta relações com sua tia. Uma mãe devassa, um pai assassino, uma tia  e avós leprosos fazem com que Sofia esconda seu passado de todos. Ao casar com Markus resolve enterrar seu passado e suas lembranças. Até o dia em que sua filha Alexis desenterra toda a história dos Petrakis e a redenção finalmente acontece nesta família de tantos sofrimentos.

Victória Hislop narra, de forma emocionante, a história desta família e os sofrimentos com a perda, com o estigma de uma doença cruel e os relacionamentos de cada membro do clã Petrakis. Antes de ser um livro de dor é, acima de tudo, uma história de amor e perdão. Recuperar o passado, aprender com o sofrimento e crescer como ser humano é uma busca incessante e faz parte da jornada de cada pessoa.

Depoimento de Victória Hislop sobre seu romance A Ilha:

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Maria Fernándes Coronel y Arana mais conhecida como Maria de Jesus de Ágreda (02/04/1602 – 24/05/1965) foi nomeada abadessa do convento franciscano de Ágreda (fundado pelos seus próprios pais) aos 25 anos de idade. Além de freira da Ordem da Imaculada Conceição, foi uma importante escritora mística espanhola e conselheira do Rei Filipe IV. Por ter recebido diversas aparições de Nossa Senhora recebeu autorização do papa para publicar sua famosa obra “Cidade Mística de Deus”. Segundo o documento intitulado “Memorial Benavides” escrito pelo Frei Alonso de Benavides (1580-1636) a abadessa Maria de Jesus possuía o dom da bilocação (estar presente em dois lugares ao mesmo tempo) e com este dom ficou conhecida como A Dama Azul. Consta que em 1625, aos 23 anos de idade, começaram suas experiências místicas. Levitou diante dos olhos de suas irmãs e protagonizou todo tipo de “exterioridades” ou fenômenos sobrenaturais. Entre os anos de 1929 e 1930 o Memorial Benavides relata que a Dama Azul apareceu na América e evangelizou inúmeras tribos indígenas no Novo México.

Em 24 de maio de 1665 Maria de Jesus de Ágreda morre aos 63 anos de idade em seu mosteiro. Seus manuscritos, cartas e notas são trancadas em uma arca com três fechaduras para garantir que se faça um uso adequado de seu legado. As anotações de suas “visitas” à América não estão ali. Ela mesma as queimou anos antes, quando tentava apagar aquelas “exterioridades” de sua memória.

Frei Alonso de Benavides e o próprio Rei Filipe IV entrevistaram a abadessa Maria de Jesus de Ágreda em seu convento na província espanhola de Sória. Apesar de suas inúmeras aparições na América para evangelização indígena jamais deixou seu convento em Espanha.

Em 1673 iniciou-se o processo de beatificação tendo sido declarada Venerável pelo Papa Clemente X. Passados quase 400 anos após sua morte, seu corpo continua incorrupto (não sofreu deteriorização) e encontra-se exposto na Igreja do Convento de Ágreda.

Maria de Jesus de Ágreda

Javier Sierra usa o personagem Carlos Alberto como seu alter ego para narrar suas próprias experiências e as tais “coincidências” que viveu durante o processo de documentação para escrever o livro A Dama Azul. Um relato interessante, fluente e repleto de mistérios sobre a vida desta mulher que conseguia bilocar-se e percorrer distâncias enormes sem que seu corpo saísse de seu mosteiro para evangelizar tribos indígenas no Novo México. Ficção e realidade num livro que se lê de um fôlego só.

Na primavera de 1991 Jennifer Narody, que mora em Los Angeles, sonha repetidamente com uma fantasmagórica mulher vestida de azul. Por desconhecer as razões que a levam a ter sempre os mesmos sonhos procura a ajuda de uma psiquiátrica chamada Linda Meyers. Ela ainda não sabe, mas a tal Dama Azul apareceu, três séculos antes, para os chefes de uma tribo indígena no Novo México. Por ser uma pessoa sensitiva e com alguns poderes paranormais a psiquiatra descobre que Jennifer foi uma militar que trabalhou para o governo americano em um projeto ultra-secreto. O projeto Cronovisão consistia em experiências com sensitivos e paranormais com o objetivo de desenvolver uma técnica para permitir que estas pessoas pudessem visualizar ou até mesmo voltar ao passado e desta forma usar estas informações militarmente. Todavia Jennifer foi afastada do projeto visto que estava sofrendo psicologicamente com tais experiências. Seus sonhos recorrentes com a tal dama azul e a história de seus antepassados vão surgindo para o leitor à medida que vai relatado a sua vida e seu trabalho para a psiquiátrica.

Em 1629 em Gran Quivira, Novo México Sakmo, filho do chefe da tribo Jumano, tem a primeira visão de uma jovem muito bonita de pele branquíssima toda vestida de azul que lhe dirige a palavra e o ensina sobre um novo Deus que sua tribo deve seguir. Acrescenta ainda que toda sua gente precisa aprender e, acima de tudo, aceitar a nova religião e o novo Deus. Informa ainda que a tribo será visitada por homens brancos que irão ensinar-lhes a boa nova. Depois desta aparição outros chefes de outras tribos no Novo México também começam a ter a visão da jovem de azul precedida de uma luz intensa que os ensina sobre o cristianismo e os convoca a aceitarem a nova religião e a abandonarem a vida pagã. Intrigados com a rapidez com que as tribos indígenas aceitam a catequização e, em muitos casos, buscam desesperadamente serem convertidos ao cristianismo frei Alonso de Benavides segue para o Novo México para investigar o que está acontecendo na América e que mistério cerca a tal jovem a quem os índios chamam de A Dama de Azul.  Seria a aparição da Nossa Senhora?

Na primavera de 1991 em Madri, Espanha uma tempestade de neve deixa o jornalista Carlos Albert da revista Mistérios isolado no distante povoado de Ágreda. Lá ele conhece o convento fundado no século XVII por aquela mulher de hábito azul. Intrigado com seus poderes decide investigar. Enquanto isso em Veneza, Itália o padre Giuseppe Baldi estudioso da história da música também terá que enfrentar outras situações inusitadas e a ter que investigar a morte de seu colega de grupo intitulado “Os Quatro Evangelistas” e a aparição da mulher toda de preto com seu sapato escandalosamente vermelho.

Passado e presente vão se intercalando nos capítulos seguintes e os personagens vão surgindo à medida que a história é contada. A ligação entre os acontecimentos de 1629 no Novo México e Espanha com os fatos de  Los Angeles e Itália em 1991 vão tomando forma e os nós vão sendo desfeito aos poucos. Até mesmo a aparição de um grupo de Anjos surge para explicar os acontecimentos passados e a revelar segredos de estado do presente. Para quem gosta de literatura de mistério com pano de fundo histórico baseado em personagens reais vale à pena a leitura.

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Sidnei Lumet - Um grande diretor injustiçado pelo Oscar

Sidney Lumet morreu na manhã deste sábado (9/4/11) em sua casa em Manhattan, Nova York aos 89 anos de idade. Sidney Lumet era um dos grandes diretores cinematográficos de Hollywood como poucos hoje em dia. Um diretor que tinha pulso firme com seus atores e exigia o máximo de cada um.

Sua marca registrada era tratar de temas como a fragilidade da justiça, da política e a corrupção. Vai deixar saudades neste mundo cinematográfico de efeitos especiais e poucas interpretações.

Apesar da sua extensa obra nunca ganhou um  Oscar por um filme que tenha dirigido. Isto também não quer dizer muita coisa já que existem duas listas em Hollywood de excelentes diretores: Os que receberam a estatueta dourada e os que não receberam. Para Lumet apenas uma estatueta de consolo, em 2005, com a frase “Para Sidney Lumet, em reconhecimento por seus brilhantes serviços para roteiristas, atores e a arte cinematográfica”.

Da sua longa filmografia tive o prazer de assistir estes:

Doze Homens e uma Sentença

Chamada para um Morto

Assassinato no Orient Express

Assassinato no Orient Express

Rede de Intrigas

O Príncipe da Cidade

O Veredito

Negócios de Família

Gloria – A Mulher

Sob Suspeita

Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto

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Escola Municipal Tasso da Silveira

Não sou perito criminalista nem assíduo freqüentador das páginas policiais. Aliás, este tema “mundo cão” não me atrai e sempre passo longe do noticiário policial. Quer sejam eles noticiados na TV ou impressos em jornais e revistas nas suas manchetes espalhafatosas. Mas foi impossível não assistir aos telejornais de ontem e ficar indiferente com a barbárie ocorrida na escola do Rio de Janeiro. Um ato bárbaro que os psicólogos, psiquiatras e agentes de segurança irão debater por muito tempo ainda suas causas e consequências.

A Rede Globo (Jornal Nacional) e a Rede Record (Jornal da Record) transmitiram imagens de um cinegrafista amador que fez imagens imediatamente ao atentado. Foi possível assistir a multidão que chegava a escola e circulava livremente em suas dependências. Gritaria, tumulto, pessoas em estado de choque e curiosos que subiam e desciam as escadas num vai-e-vem incessante. O corpo do assassino ainda estava estendido na escadaria com sangue por todo o lado e, em uma sala, uma criança ensangüentada aguardava atendimento gemendo de dor e desespero. Outras crianças nos corredores igualmente feridas também perdidas naquele tumulto todo. Nota-se que não existe a presença de uma força policial capaz de colocar um pouco de ordem naquele tumulto todo. O local ainda não fora isolado e, a perícia provavelmente não deve ter encontrado boas condições de trabalho para fazer uma análise científica confiável. Aliás, a perícia só foi feita mesmo na sexta-feira pela manhã!

Como foi possível que decorrido um bom tempo do atentado o local não fora isolado por uma força policial para evitar que a cena do crime fosse alterada? Porque as vítimas ainda aguardavam atendimento nos corredores sem que alguém deles se ocupasse e socorresse? Como foi possível permitir que aquela multidão toda circulasse livremente pela cena do crime alterando substancialmente as provas e evidências? Como saber quantos tiros o assassino disparou (levando-se em conta que provavelmente alguém deva ter levado cartuchos para casa)? Sabemos que existem pessoas mórbidas que adoram lembranças do tipo. A perícia da cena do crime foi realizada só na sexta-feira pela manhã depois de todo aquele tumulto! O Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) informa que Wellington Menezes de Oliveira recarregou seu revólver 38 “pelo menos nove vezes” e que foram “mais de 60 disparos” feitos contra os estudantes nas salas de aula”. Dados aproximados, claro porque com aquela multidão toda circulando livremente pela escola vai ser difícil saber, cientificamente, toda a rotina do assassino e como se deu toda esta tragédia.

Pelo desenrolar dos acontecimentos não duvido que, em poucos dias, a culpa da morte do Wellington recaia sobre o sargento. Neste caso a família do assassino vai querer indenização do Estado como sempre acontece. Como será feita a prova em contrário? Quem assegura que o corpo realmente estava no lugar em que foi morto? Como provar a veracidade do sargento e os passos do assassino se com aquela confusão toda, o cenário de horror foi alterado substancialmente? Sabemos que a perícia leva em consideração pequenos detalhes para dar seus laudos e tudo mais. Mas nesta situação em particular vai ser difícil chegar a detalhes minuciosos e irrefutáveis.

Evidente que é difícil prever casos desta natureza. Até porque nunca houvera casos semelhantes em território nacional. A população local fez sua parte em prestar os primeiros socorros às vítimas e a tomar as primeiras providências no sentido de alertar a polícia e a pedir socorro médico. Mas a força policial deveria ter sido mais eficaz (e rápida) no seu trabalho de isolar a área e evitar que a multidão, em pânico, trouxesse mais pânico ainda ao lugar e a cena do crime. Este caso vai longe…

 

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