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Archive for maio \31\UTC 2011

É impossível escrever sobre Almodóvar sem deixar de fazer uma reverência à sua genialidade e a sua sensibilidade em contar suas histórias. Almodóvar sabe, como poucos, mesclar dramas com um sorriso nos lábios e comédias com lágrimas nos olhos. Consegue esta mágica sem parecer pedante ou piegas e talvez por isto mesmo é explicito ao extremo em suas obras. Não deixa dúvidas e sombras pelos cantos. Não perdoa cínicas ou falsas aparências. Não se importa com a opinião alheia e conta-nos o que diz seu tumultuado coração e na sua lúcida cabeça.

O parágrafo acima talvez esteja parecendo um pouco como o samba do crioulo doido: Fala-fala-e-não-diz-nada-com-nada. Mas quem assistiu ao filme Tudo Sobre Minha Mãe dirigido pelo diretor espanhol sabe ao que estou me referindo. Aliás, todo o primeiro parágrafo se aplica à obra de Pedro Almodóvar, porque ele não faz concessões a ninguém. Nem a si próprio. Como toda obra almodovariana tem suas prostitutas, travestis, atores/atrizes, histórias paralelas que se cruzam e a capacidade de fazer legiões de fãs ou detratores do seu trabalho mundo a fora. Porque não existe meio-termo com Almodóvar: amor e ódio andam juntos quando nos referimos a este grande diretor.

Apesar do título, a história não é sobre a “mãe” de Almodóvar. É a história de Manuela (Cecilia Roth) uma mãe que doa o coração do filho morto num acidente de carro e assim procura resgatar suas lembranças, vivências e segredos não compartilhados. Ao encontrar a agenda escrita por seu filho, percebe que ele estava escrevendo memórias afetivas de seu relacionamento com a  mãe e que tais memórias seriam colocadas em livro. As dúvidas que Esteban (Eloy Azorín) tinha sobre a verdadeira história e o destino de seu desaparecido pai é colocado de forma a levar sua mãe a fazer uma jornada em busca da sua própria verdade e a de seu filho.

No decorrer da história descobre-se o segredo: Esteban é filho de um travesti de mesmo nome que engravidou a freira Rosa (Penélope Cruz) que também deu ao filho o nome de Esteban. O destino coloca esta criança e esta mãe nos braços de Manuela, mulher sofredora que num gesto de amor e desprendimento adota esta criança para só então resgatar o sentimento e a emoção de criar um filho sem os segredos que tanto atormentaram sua existência.

Um filme sobre a vida de mulheres e de grandes interpretações de Antonia San Juan como travesti Agrado, Cecília Roth como Manuela e Marisa Paredes como Huma Rojo.

Thriller do filme Tudo Sobre Minha Mãe

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Imagine a situação: Você e sua família saem de férias para curtirem momentos de alegria, diversão e coisa e tal. De repente você se encontra abandonado (ou abandonada) num restaurante a beira da estrada. E o pior de tudo: Ninguém parece sentir a sua falta por um bom tempo… Nem esposa (ou marido) e filhos notam a sua ausência! E agora, o que fazer? No primeiro impulso provavelmente você irá procurar um meio de entrar em contato com eles para que venham resgatá-lo do esquecimento, certo? Com os minutos de espera você ficará com a pulga atrás da orelha a pensar como isso foi possível e porque ninguém notou (ou se importou) com a sua ausência. Neste momento de angústia meu amigo, você estará entrando numa seara muito perigosa e será preciso anos de terapia para sentir-se novamente amado, importante na vida dos seus familiares e coisa e tal. Ou não!

Eu entraria em pane. Não por ter sido esquecido na beira da estrada, mas o fato de sentir na própria pele o fato de saber que minha mulher e meu filho não se importam comigo e por não terem sentiram minha ausência. Sinal evidente que não sou importante para eles ou que o amor foi pro beleléu (no que se refere a minha mulher) ou pela indiferença do meu filho. Em ambos os casos estaria, irremediavelmente, perdido.

Felizmente isso nunca aconteceu comigo e espero nunca venha a ocorrer. Mas foi o que aconteceu com Rosalba personagem do filme Pão e Tulipas uma co-produção da Itália e Suíça, dirigido por Silvio Soldini. Acontece que Rosalba (Licia Maglietta), apesar de ter ficado indignada no primeiro momento, resolveu tirar de letra a situação e aproveitou a situação para tirar, ela própria, férias da família. A situação entre ela e o marido já não era das melhores. O relacionamento já andava pra lá de monótono e, com os filhos crescidos e sem a necessidade de muitos cuidados, Rosalba estava se sentindo rejeitada e deixada de lado nas preocupações de todos. Sua rotina era ser uma boa dona de casa. Mais precisamente uma empregada doméstica da própria família. O marido tinha sua amante para seus encontros amoroso-sexuais. Os filhos, como sempre acontece depois que crescem, possuem outros interesses… Assim, sem pensar duas vezes Rosalba aproveita a oportunidade que o destino lhe apresenta e cai na estrada a procurar sua felicidade perdida. Segue então para conhecer Veneza. Mas ela quer muito mais que conhecer uma cidade turística. Ela quer viver como se fosse uma autêntica moradora da cidade e conhecer os lugares que não estão nos cartões postais.

A partir deste momento começa uma nova aventura na vida desta mulher. Muito mais que a transformação da própria existência nesta jornada, ela vai modificando também os destinos das pessoas com quem vai se relacionando. Como está sem dinheiro é acolhida por um garçom solitário que não está lá de bem com a vida e anda com sentimentos suicidas e coisa e tal. Assim, ele pensa lá com seus botões que não custa nada esperar mais um pouco e dar outra chance para a vida e ver o que acontece. No mesmo prédio reside uma massagista que não tem sorte no amor e suas relações sempre foram de sofrimento e desilusão. Este trio forma o centro da narrativa e as histórias paralelas vão se desenrolando de forma sensível e até engraçadas em alguns momentos. Principalmente quando entra em cena o florista anarquista que dá emprega a Rosalba e o “detetive” de araque que o marido de Rosalba contrata para encontrá-la em Veneza.

O filme cativa pela simplicidade dos personagens. Quando digo simplicidade não estou criticando o roteiro e os diálogos. Muito menos a constituição psicológica dos mesmos.  Nada disso. Digo isso porque é fácil identificar estas pessoas com alguém que você talvez conheça na sua vizinhança ou que já tenha escutado histórias de vida como estas por pessoas que tenham cruzado seu caminho. Os cenários ajudam a criar este ambiente descompromissado e verdadeiro que nem parecem sets de filmagem. O mesmo se pode dizer dos figurinos. Exagerados e caricatos. Mas quem possui apartamento capa de revista se veste como modelos de passarelas?

É preciso conquistar para merecer suas "tulipas"

Ao término do filme percebe-se que Rosalba estava procurando significado para sua vida e um motivo para vivê-la plenamente. A metáfora com o título é evidente: É preciso muito mais que pão (representado neste caso por segurança financeira, um teto sobre a cabeça, roupas no corpo e comida no prato). Rosalba foi ao encontro das suas tulipas (representado metaforicamente por carinho, respeito, e, acima de tudo, amor). Com “Pão” e “Tulipas” é possível viver feliz e fazer valer esta existência. A cena em que o garçom assiste, desolado, suas tulipas murcharem e se despetalarem é bem significativa. É preciso merecê-las (ou conquistá-las) e estar preparado para tê-las. Todos nós temos direito a pão e tulipas. Afinal, como já vimos numa frase famosa “nem só de pão vive o homem”.

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Pedro Gonzaga - Poeta, Músico, Tradutor, Professor...

Muito se fala sobre os tais sites de relacionamentos e como a juventude se relaciona com estes aplicativos da internet. Algumas pessoas criticam o tempo que os jovens passam em frente ao computador a teclar tempos infindáveis com pessoas que não conhecem pessoalmente (mas, com certeza, possuem alguma afinidade). Outras pessoas insistem que o internauta precisa ter um pouco de cuidado com o que dizem online e com quem se relacionam virtualmente. Aliás, cuidados estes que devemos ter também na convivência real. Devemos escolher bem nossos amigos e não devemos, igualmente, sair por ai a dizer impropérios a torto e a direito. Mas voltemos à internet… Uns são contra, outros a favor destes sites de relacionamentos como o Facebook, Twitter, Orkut e MSN e como tais sites interferem (ou não) na vida destes internautas compulsivos.

Eu confesso que sou assíduo usuário destes sites e me relaciono muito bem com todos eles. Tenho vários “amigos virtuais” e com eles troco informações, compartilho links interessantes e esta convivência é pacifica e bastante interessante. Tenho conhecido pessoas de outras cidades, outros estados e até de outros países. Dificilmente trocaria informações e bateria um bom papo com vários destes meus “amigos” não fosse esta possibilidade que a internet me disponibiliza. Sendo assim, dou graças a Deus a existência destes sites de relacionamentos.

Todo este preâmbulo só pra dizer que foi graças à Internet que conheci o poeta gaúcho Pedro Gonzaga. Para ser mais exato, a primeira vez que vi Pedro Gonzaga foi no programa Camarote TVCom (TVCom Canal 36 grupo RBS) no quadro Crônica Falada apresentado por Katia Suman. Fiquei impressionado pela desenvoltura e inteligência do moço. Depois quando a apresentadora Katia Suman resolveu lançar sua própria rádio na internet com o nome de Rádio Elétrica ela convidou o Pedro para que este apresentasse o programa “Música Para Adultos”. Uma programação musical do mais alto nível e bastante eclético. Assim, virei fã deste poeta gaúcho. Trocamos umas mensagens pelo Twitter e pelo Facebook onde sempre peço uma música para ser executada em seu programa. Por vezes  comentamos um assunto e outro sobre nossas publicações nestes sites. Pedro é um gentleman e sempre atende meus pedidos, assim como de outros ouvintes. Devo dizer que ele é um cara bastante acessível e se mostra sempre interessado nas pessoas que o cercam. Responde sempre a todas as mensagens que recebe e “dialoga” com todos que estão nos seus círculos de amizades virtuais. Sendo assim, o considero meu amigo e, acima de tudo, seu fã de carteirinha.

Pedro Gonzaga é um cara multifacetado e multimídia. Veja só:

Poeta (com site na internet http://pedrogonzaga.wordpress.com),

Escritor com os seguintes livros publicados: Cidade Fechada (2004) e Dois Andares: Acima! (2007),

Músico (saxofonista do Trio Chico),

Tradutor de Charles Bukowsky (deste escritor traduziu os livros: O Amor é um Cão dos Diabos, Bukowsky Textos Autobiográficos e Factótum. Todos da editora L&PM) e outros poetas mais.

Locutor de Rádio. Criador e apresentador do programa “Música Para Adultos” da Rádio Elétrica. Para quem estiver interessado seu programa vai ao ar todos os sábados das 16h às 17h. Jazz, MPB e muita música de qualidade. Acesse o site www.radioeletrica.com.br e deleite-se!

Ah sim… O cara também é professor.

Abaixo poemas deste poeta gaúcho que tenho orgulho de chamar de amigo:

Contestação

ela avança devagar sobre o piso da sala
seus pés deixam marcas úmidas, sal e areia
passos em um antigo tabuleiro de caça ao tesouro
ela traz consigo uma brisa e um cheiro de mar
nos cabelos a espuma das ondas rebentadas
não consigo deixar de vê-la, meu deus
não consigo cerrar meus olhos:
como não amar sua pele jovem
feita de mel e amêndoas?

toma-me o desespero do instante
de ver na juventude dela
o tempo que já não tenho
de saber que não pode haver equilíbrio
na contemplação
no petrarquismo
foda-se o poema,
foda-se a necessidade da poesia
quero-a agora
quero-a como nunca
já estou farto de saber
silêncio, poetas
quero-a
digo a ela
crava-me os dentes
reputo falso
ouviram?
que nada se salva de uma tarde de verão.

-X-

Quase Já Não Há Garotas Sentimentais

quase já não há garotas sentimentais
a música popular, os anúncios das vitrines
os seriados da televisão as exortam ao ataque impiedoso
constrangendo sua necessária timidez

quase já não há garotas sentimentais
pelo simples fato de que o sentimentalismo
esvaziado de sua aura de folhetim
estava para dourar o interesse pragmático do casamento

quase já não há garotas sentimentais
em porto alegre
mas creio que em nova iorque ou hong kong
não seja diferente

quase já não há garotas sentimentais
porque hoje envergonha sentir em surdina
é preciso exagerar em coreografias e penteados
que revelem tudo aquilo que a norma pede

quase já não há garotas sentimentais
e por isso o mundo está perdido
por isso o mundo só poderá ser salvo
quando voltarem à provença um exército de trovadores

-X-

Espera

o som do chuveiro
através da porta
o ruído abafado das roupas
tombando surdas
no chão de pedra
tua nudez imaginada
e ainda não vista
existe em mim
há muito tempo
teus braços de bronze mediterrâneo
tuas coxas fortes de singrar olivais,
desenho teus seios no ar
dou-te cada metade
de uma maçã da Pérsia.

da cama recolho os ecos de tudo
sonar que registra
a posição exata de um perigo.

a água pára e
tu perguntas que toalha usar,
já mescla de sibilo e canto,
respondo ofegante
e a porta se escancara.

à luz do banheiro,
vejo as duas fendas negras no ouro
de tuas narinas de águia
o brilho feroz de tuas plumas
tuas garras feitas para ferir
brutos marinheiros
e que agora
afortunadamente
vem me dilacerar.

-X-

Continuidade da Vida

que me importa a continuidade da vida
os genes transmitidos às cegas
o cinismo transmitido às claras

de que serve a ilusão da descendência?
almejas um amparo na velhice?
a certeza de permanecer nos outros?

permanecer?
chamas um nome
um punhado de valores insulsos
um terreno em Xangrilá
a carteira do clube tranchã
de permanência?

descansa em paz, amigo
alguém cuidará de teu cão
ninguém lerá meu Apuleio
ficará na capa o disco do Coltrane
e que importa isso?
se a morte é uma ilusão dos vivos
como pode importar a continuidade da vida?

mas então eu vejo minha sobrinha de quatro anos
o modo como ela aperta os lábios e se concentra
para pintar um bocado de criaturas estranhas
em folhas de papel que distribui sem economia
e tudo o mais deixa de ter qualquer importância.

Quando Alice sorri (ainda que o faça como atriz)
nem mesmo um tolo é capaz de pensar
na continuidade da vida.

para Alice

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Nesta questão polêmica dos livros do MEC sobre o tal “Preconceito Linguístico” sou favorável que o estudante precisa ser ensinado a expressar-se corretamente. Até porque, ele entra na escola justamente para APRENDER e ser CORRIGIDO para não continuar a falar e  escrever errado para todo o sempre. Evidente que num país continental como o nosso existem várias formas de expressão, tanto na fala como na escrita. Devemos respeitar estes regionalismos e sua linguagem. Mas é preciso respeitar a forma correta de fazê-lo! Principalmente em sala de aula ou em ocasiões formais onde é preciso fazer-se entender corretamente.

Neste quesito sou preconceituoso linguístico e pronto! A educação brasileira já é falha com o seu propósito de passar estudante do ensino fundamental de série mesmo que ele não tenha aprendido a matéria, para que ele não se sinta estimulado a abandonar a escola. A ideia da Secretaria da Educação é que é preferível ter um aluno burro na escola do que fora dela. Como se a escola fosse um depósito de criança e não um ambiente de ensino. Agora querem que o estudante continue a se expressar (e a escrever) erradamente para que ele não sofra o tal “preconceito lingüístico”. A continuar assim, não precisaremos mais de escolas e cada um que fale, escreva e se comunique do jeito que achar melhor e, ao final do ano escolar que ganhe o diploma mesmo sem ter aprendido as disciplinas do currículo escolar.

Então eu pergunto: Para que frequentar a escola? O aluno não vai precisar mais aprender as disciplinas a que for submetido já que vai passar de série mesmo não tendo assimilado o que lhe foi ensinado; não vai mais precisar aprender a escrever e falar corretamente uma vez que a pedagogia moderna não quer ele sofra preconceito; os livros agora precisam ser revistos para não conterem preconceitos de nenhuma ordem e assim não ferir o “politicamente correto” que assola este país. Que o diga Monteiro Lobato que teve um livro seu em vias de ser proibido no ensino público. Ainda bem que voltaram atrás neste disparate. Assim vamos nivelando por baixo o nível de conhecimento dos estudantes brasileiros.  Chegará um dia em que o diploma será apenas mais um quadro na parede e pose nas fotos de formatura.

A continuar assim, a base de conhecimento do estudante brasileiro será nula e acabaremos por formar profissionais que não saberão interpretar um texto, que não terão capacidade para escrever pareceres científicos ou mesmo pequenos textos sobre inúmeras questões que terão que opinar no decorrer de suas vidas profissionais. E o que é pior: Alunos (e futuros profissionais) destituídos de opiniões sobre coisa nenhuma já que não foram estimulados a aprender e a pensar por si próprios.  Teremos assim profissionais que sofrerão muito mais que preconceitos lingüísticos: Sofrerão o preconceito na hora de lutar por uma vaga no mercado de trabalho porque serão sempre preteridos e deixados à margem, uma vez que   não possuem capacidade e estudos suficientes para defenderem seus diplomas no mercado de trabalho.

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Trio Chico: Andrea Cavalheiro, Voz - Pedro Gonzaga, Sax e Voz e Rodrigo Reinheimer – Violão

Não entendo estes produtores de programas de televisão que convidam músicos para se apresentarem para o público e no momento em que estes artistas estão a apresentar seu show são interrompidos bruscamente pelos comerciais. Não se consegue ouvir uma única música inteira e corta para os tais “patrocinadores”. O público fica com cara de idiota e o artista, com certeza, deve se sentir desrespeitado.

Qual a lógica destes produtores de TV que convidam músicos só para que estes anunciem a entrada dos comerciais? O pior de tudo é se sentir enganado como espectador. Fazem as tais “chamadas” anunciando a apresentação deste e daquele artista no programa e tudo mais e ficamos então aguardando a apresentação musical anunciada. Finalmente o apresentador faz a apresentação do artista com aquele marketing básico de onde o músico irá se apresentar na cidade… Mostram a capinha do CD e DVD que o cantor ou o grupo está lançando no mercado e  blá… blá… blá… e então começa a apresentação. Trinta segundos depois, no meio da primeira estrofe, corta para os comerciais!

O campeão deste desrespeito todo é o apresentador do Programa Bibo Nunes Show que é transmitido pelo canal… Que canal mesmo? Putz deu branco! Enfim… Num destes canais alternativos. Mas o Jornal do Almoço da RBS TV também faz destas. Vez por outra até é possível ouvir uma música inteira. Mas nem sempre. Geralmente é a metade de uma única música que é e mutilada em sua apresentação. Claro que para o artista a divulgação de seu DVD ou CD num programa de TV é importante e que a propaganda é a alma do negócio todo mundo sabe. Mas os produtores de TV deveriam ter um pouco mais de respeito com o espectador e com os músicos. O único programa que respeita seus convidados é o Camarote TVCom apresentado pela Katia Suman no Canal 36. Neste programa é possível assistir a apresentação do artista até o fim de seu “show” sem a interrupção abrupta para os comerciais. A Katia faz o que os outros apresentadores fazem: Anuncia o número musical, faz o tal marketing do artista informando aonde ele irá se apresentar na cidade e divulga seu CD ou DVD para que o público possa adquiri-los. Depois, como convém e por respeito aos tele-espectadores começa a apresentação do número musical anunciado até o seu final. É possível, ao fim, ainda se ouvir a salva de palmas dos presentes em estúdio. Tudo muito civilizado e educado. Aliás, como deveria ser em todos os demais programas que anunciam shows musicais. Mas infelizmente não é o que acontece.

Segunda-Feira passada estava zapeando pela TV aberta quando vi meu amigo Pedro Gonzaga (tenho certeza que posso chamá-lo de amigo) se “apresentando” no programa Bibo Nunes Show. Mas foi uma apresentação muito rápida com a entrada dos comerciais. Esperei o retorno do programa e fiquei ouvindo aquela conversa fiada megalomaníaca do Bibo (não é à toa que o programa tem o nome dele) e eu ali esperando outra apresentação do Pedro com seu trio. Finalmente o trio foi convocado a apresentar outra música. Pensei: Finalmente! Nos primeiros acordes corta para os comerciais. Que desrespeito para com o tele-espectador e para com o artista! Desisti e voltei a zapear por outros canais. Até porque, não tem como assistir ao programa Bibo Nunes Show na íntegra com aquela lenga-lenga do apresentador que não deixa os convidados falarem e nem os artistas a apresentarem seus números musicais. Ele (Bibo Nunes) é o show e os convidados estão ali só para assistirem sua própria performance televisiva. Sinto Pedro, mas não foi possível continuar a assistir a outras apresentações musicais suas no programa.

Fica aqui meu protesto para os programadores e apresentadores de Televisão: Deixem os artistas se apresentarem ao seu público o número musical na íntegra sem mutilações! Afinal, a audiência foi convidada para assistir aos seus artistas e estes (os músicos) convidados para se apresentarem ao seu público.

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De Tanto Bater Meu Coração Parou uma produção francesa dirigido por Jacques Audiard  narra a história de Thomas Seyr (Romain Duris) um rapaz de 28 anos que trabalha no ramo imobiliário e é tão corrupto quanto o pai nesta atividade. Não perdoa inquilinos em atraso e usa de violência e muitas artimanhas para desalojar moradores inadimplentes. Com seus “colegas” de trabalho cobra dívidas com extrema violência e não aceita conversa fiada (Desculpem o trocadilho). Esta relação de amor (se é que é possível existir amor nestas circunstâncias) entre Thomas e seu pai, Robert Seyr (Niels Arestrup) sempre é conflituosa uma vez que esta luta diária pelo dinheiro alto que fatura no ramo imobiliário deixa-o sem perspectiva de saída a não ser levar esta vida de corrupção e truculência. Todavia, no íntimo não se sente feliz com esta escolha e vive um grande dilema: seguir o caminho do pai nesta atividade brutal ou o lado virtuoso da mãe, uma talentosa pianista. Ele tem talento musical (herdado da mãe) e ao reencontrar, dez anos depois, um empresário este o convida a preparar-se para uma audição e talvez o lance nos circuitos de concertos.  Este é a premissa básica do filme

Esta dualidade gângster/músico (ou se poderia dizer truculência e sensibilidade) é retratada durante toda a projeção do filme e mostra, claramente, o impasse em que Thomas vive. Como conciliar dois aspectos profissionais tão antagônicos e sensibilidades tão diversas?

Para acentuar ainda mais esta contradição (ou seria conflito?) em que vive Thomas Seyr ele resolve procurar ajuda com uma professora de piano para que esta possa ensaiá-lo para a tal audição com o seu futuro empresário. O grande detalhe é que a jovem professora é uma japonesa que não fala uma vírgula em Frances e a comunicação de ambos se dá somente pela música e algumas mímicas que pouco ajudam. Este truque no roteiro (a incomunicabilidade entre ambos) é interessante na medida em que mostra como está o espírito de Thomas: Não sabe dizer o que sente (ou não consegue fazer a sua escolha), mas sabe que a música é a sua única salvação possível. Tem talento e sensibilidade musical, mas emprega suas energias em um trabalho criminal que consome suas forças e o debilita ao mesmo tempo para a criação artística. Em certos momentos o espectador fica mesmo com vontade de ajudá-lo nesta questão e gritar-lhe que abandone esta vida bandida e dedique-se à música. Todavia, são tantas variáveis e questões a serem consideradas nesta encruzilhada em que se encontra, que realmente é de difícil escolher. Cabe ao espectador assistir o desenrolar da trama e torcer para que a sensibilidade vença a força bruta.

Uma cena que mostra claramente toda a angústia e conflito de Thomas é o momento em que ele vai assistir ao concerto de sua professora e no teatro encontra um desafeto. A princípio ele fica na dúvida se deve ou não correr atrás do homem e acertar suas diferenças ou ir assistir o concerto. Mas ele precisa ajustar suas contas, precisa levar sua vida e ganhar seu dinheiro e defender seus interesses. Precisa fazer o que tem que ser feito já que a música é um horizonte distante e um desejo apenas. Ou não? Então resolve correr atrás do sujeito pelas escadarias do prédio e ao encontrá-lo dá-lhe uma grande surra (e apanha também, claro afinal são homens de violência).

Ao deixar o sujeito estirado nas escadarias Thomas resolve ir assistir ao tal concerto e vê-lo naquele estado é simplesmente angustiante. Ele está todo ensangüentado e ferido, mas dirige-se à platéia para assistir ao espetáculo. Seus conflitos estão explícitos em suas expressões de dor, vergonha e desespero. Sabe que sua via está irremediavelmente perdida para a violência. Suas mãos machucadas dedilham um piano imaginário e o espectador fica com o coração na mão a assistir tanta dor e pedido de socorro mudo. Será que de tanto bater o coração de Thomas realmente parou? Será que seu coração deixará de bater ao ouvir uma boa música e apreciar o belo? Será que sua vida vai se resumir a ter um coração frio e calculista meramente mercantil sem sentimento algum?

Romain Duris interpreta de forma convincente os conflitos existenciais de Thomas e a fotografia ajuda a dar o clima de “vazio” e desesperança do personagem. O início da narrativa é um tanto enfadonho com as cenas da turma de “corretores imobiliários” a  tumultuar a vida de inquilinos indesejados, mas a partir do momento em que a narrativa foca este desejo do personagem para a música o filme começa a ficar interessante.

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Antonio Salieri – Um grande compositor

Revi tantas vezes o filme Amadeus dirigido por Milos Forman que eu poderia, por assim dizer, “dialogar” com os personagens já que sei, na ponta da língua, todos os diálogos e as sequências das cenas e tudo mais. Uma verdadeira Obra-Prima! Não é à toa que levou oito Oscars da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas em 1985 nas seguintes categorias: Filme, Diretor (Milos Forman), Ator (F.Murray Abraham como Antonio Salieri), Direção de Arte, Figurino, Maquiagem, Som e Roteiro Adaptado.

Já escrevi muito sobre este filme e todo mundo que me conhece já está cansado de ler minha opinião sobre esta obra.  Sendo assim, vou poupá-los deste sacrifício.

Este texto é para comentar sobre a grande injustiça que o filme Amadeus faz com a figura de Antonio Salieri. Claro que a personalidade invejosa, mesquinha e diabólica de Salieri retratada no filme é fruto da imaginação dos roteiristas. Assim como a imagem que eles (os roteiristas) transmitiram aos espectadores de um músico medíocre desprovido de talento ou uma pessoa sem importância no cenário musical da época. Até mesmo sua posição como compositor da corte (nomeado pelo próprio Imperador José II) e maestro da Orquestra Imperial é retratado mais como “artimanhas” e tramas políticas de Salieri em detrimento de sua falta de capacidade artística. Nada mais falso! Até porque, não tivesse ele o talento que em realidade tinha, não teria ocupado cargos tão relevantes na corte de José II onde a música tinha papel importante na corte.

Fosse Salieri um sujeito desprovido de musicalidade e técnica não teria igualmente sido professor de música de Ludwig Van Beethoven, Carl Czerny, Johann Nepomuk Hummel, Franz Liszt, Giacomo Meyerbeer, Ignaz Moscheles, Franz Schubert e Franz Xaver Süssmayr. Para provar que tinha bom relacionamento com Mozart ensinou também ao filho mais novo do genial Wolfgang, Franz Xaver a arte da boa música.

Claro que Wolfgang Amadeus Mozart era um gênio e não tem como compará-lo com Antonio Salieri e sua obra em muito era superior em qualidade e genialidade. Tanto que hoje se conhece mais a obra de Mozart do que a obra musical de Antonio Salieri. Mas isso é uma opinião particular minha. Até porque, gosto mesmo mais das composições de Wolfgang Amadeus Mozart do que as obras de Antonio Salieri. Pode haver controvérsia nos círculos dos estudiosos do tema quanto a quem é superior a quem nesta história toda.. Que eles se manifestem… Todavia, Salieri estava muito longe da mediocridade a que os roteiristas o coloraram perante a história. Muito menos culpado pela morte do jovem compositor.

Provavelmente deveria haver uma certa rivalidade entre ambos e com outros músicos da época para ficar nas “graças” do Imperador e manter-se na corte e assim fazer mais sucesso com o público e assim lotar os teatros e tudo mais. Não esqueçamos que o público da época (e não só os que circulavam nos corredores e salões dos palácios) cantarolavam músicas clássicas como hoje a juventude cantarola as músicas dos sertanejos universitários. Putz, que inveja daqueles tempos e que diferença de qualidade musical.

Eu confesso que preferiria ter vivido naquele tempo e circular pelas ruas a assoviar composições de Mozart. Mas isso também é outra história e provavelmente haverá controvérsias… De qualquer forma é preciso colocar Antonio Salieri no pódio dos grandes músicos clássicos já que ele tinha talento para tanto e compôs inúmeras peças entre óperas, sinfonias e música sacra. No youtube existem inúmeras obras deste grande compositor que podem ser apreciadas.

Abaixo trechos de algumas de suas obras. Depois me digam se o cara tinha ou não talento!

Sinfonia Veneziana

Abertura da Ópera Axur

Final da Ópera Axur

Final da Ópera Tarare

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