Feeds:
Posts
Comentários

Archive for junho \30\UTC 2011

Filha do Amanhecer, de Pauline Gedge é um romance baseado na história da primeira mulher faraó do Egito, Hatshepsut. Devo dizer que sou apaixonado pela história deste povo e sua mitologia e esperava encontrar nas suas 457 páginas muito mais do que realmente encontrei. De qualquer forma é um livro interessante que retrata a XVIII dinastia do Império Novo no começo do século XV a.C. Seu reinado é conhecido por um período de paz e prosperidade para o Egito Antigo. Era uma mulher determinada, guerreira e, apesar de todas as previsões contrárias sobre seus poderes e direitos sobre o título de Faraó, governou com mão de ferro e coragem. Com certeza não foram anos fáceis e as intrigas palacianas e nos templos devem ter sido uma verdadeira queda de braço. Infelizmente o relato passa muito rapidamente sobre tais percalços e as manobras políticas e religiosas que Hatshepsut teve que arquitetar para manter-se no poder. Preconceitos dos poderosos dos templos, das famílias ricas do país e do povo que acreditava que uma mulher não teria pulso firme para administrar um país que era considerado um verdadeiro império da época. Além é claro da tradição milenar de somente homens ter o direito de colocarem sobre a cabeça a dupla coroa.

Hatshepsut nasceu em Tebas e era filha do faraó Tutmés I e da rainha Ahmose. Como o título de Faraó era dado somente aos homens ela teve que se casar com seu meio-irmão Tutmés II para que este pudesse ter o direito divino de ter sobre a cabeça a dupla coroa do Alto e Baixo Egito. Quando seu pai morreu, ela teria cerca de quinze anos. Tutmés II não teve filho homem com Hatshepsut, mas teve um filho varão que recebeu o nome de Tutmés III com sua concubina chamada Isis (ou Iset). Assim, cabia a Tutmés III o direito a sucessão ao trono após a morte de seu pai o que não foi possível visto que ele era ainda uma criança quando o Faraó veio a falecer. Por esta razão Hatshepsut, na qualidade de grande esposa real do Faraó Tutmés II, assumiu o poder como regente na menoridade de Tutmés III. Tempos depois ela decide assumir a dignidade de Faraó colocando sobre a própria cabeça a dupla coroa.

Pauline Gedge faz um breve relato da infância de Hatshepsut como uma menina voluntariosa, esperta e que tinha a ambição de se tornar uma mulher poderosa. Hábil na caça, na luta e um espírito um tanto quanto masculinizado para a época era tida como a preferida por seu pai para sucedê-lo. Nas páginas seguintes a escritora Pauline descreve a luta de Hatshepsut para conquistar a coroa e o direito ao título de ser a primeira mulher Faraó do Egito e suas realizações no trono por mais de vinte anos. Alguns fatos históricos são relatados no livro como a campanha militar que, segundo alguns estudiosos, a própria Hatshepsut liderou na Núbia e a expedição à região do Punt (costa da Somália) que era conhecida por suas riquezas, como a mirra, incenso, ébano, marfim e animais exóticos. Também é relatada no livro a construção de seu templo de Milhões de Anos considerado uma verdadeira obra-prima da arquitetura e engenharia.

Templo de Hatshepsut em Luxor

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Detalhe das colunas do Templo de Hatshepsut

Claro que não poderiam faltar nas páginas deste romance os relacionamentos amorosos da rainha bem como as intrigas e os conchavos palacianos. O romance de Hatshepsut com Senemut de origem humilde, mas que desempenhou inúmeras funções a serviço da rainha. Senemut foi chefe do conselho e preceptor da filha de Hatchepsut, a princesa Neferuré entre outros títulos. A amizade com Hapuseneb, sacerdote de Amon que dirigiu vários trabalhos de construção em Tebas também é citado. Para os amantes da cultura egípcia talvez o livro decepcione um pouco uma vez que tais fatos históricos são relatados muito rapidamente e com poucos detalhes. Todavia é interessante que a história desta mulher fantástica venha a publico e tenha um livro dedicado ao seu reinado.

Por muitos séculos o período de Hatshepsut como Faraó do Egito foi ignorado, inclusive por seu povo, já que ao morrer muitas das suas obras foram danificadas e os registros suprimidos das principais listas de reis do Antigo Egito. Só em meados do século XIX iniciou-se a redescoberta da rainha-faraó. Entre 1922 e 1923 o egiptólogo Herbert Winlock encontrou uma série de estátuas de Hatshepsut nas escavações em Deir el-Bahari na área pertencente ao rei Mentuhotep II. Em uma caixa mortuária de madeira com o nome da rainha-faraó entalhado foram encontrados um dente molar e seu fígado mumificado. Através de testes de DNA e tomografia computadorizada foi possível afirmar que a múmia encontrada era de Hatshepsut.

Read Full Post »

O compositor James Roy Horner

Na Trilha do Cinema a homenagem ao compositor americano James Roy Horner (Los Angeles 14/08/53) que foi nomeado ao Oscar em sete ocasiões: Aliens – O Resgate, de 1986, Campos de Sonhos, de 1989, Coração Valente, de 1995, Apollo 13, de 1995, Titanic, de 1997, Uma Mente Brilhante, de 2001 e House of Sand and Fog de 2003. Ganhador do Oscar pelas trilhas dos filmes Titanic e Avatar.

 

 

 

Lendas da Paixão é uma produção americana de 1994, dirigida por Edward Zwick e estrelado por Brad Pitt, Anthony Hopkins, Aidan Quinn e Julia Ormond.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espero que curtam esta inspiradora trilha sonora do filme Lendas da Paixão.

Read Full Post »

Amor ou Consequência - Um verdadeiro caleidoscópio de emoções.

Viver, entre outras coisas, é um ato de medir as consequências e, à medida que a idade avança, esta premissa vai se tornando uma realidade. Uma dura realidade. A criança não tem por hábito racionalizar suas escolhas e muito menos avaliar as conseqüências de seus atos. Razão pela qual a criança é mais sincera na medida em que não precisa usar de eufemismos tão próprios dos adultos e muito menos compreender as tais “mentiras sociais”. A criança é ação, atitude e sua vida é focada única e exclusivamente no presente. No decorrer da vida esta criança irá aprender (ou não), a dura realidade de saber fazer suas escolhas a aceitar (e sofrer) as consequências de seus atos. No início do filme Amor e Consequência, uma produção francesa dirigida por Yann Samuell, os jovens Julien e Sophie estão na fase da vida em que tais preocupações estão muito longe de suas ingênuas realidades. Por não terem uma boa base familiar e possuírem relacionamentos problemáticos, este aprendizado (de medir as consequências) irá trazer a ambos uma vida repleta de altos e baixos. Uma verdadeira montanha russa de sentimentos de amor e ódio.

Julien (Guillaume Canet) é uma criança solitária e sensível que vive mais em sonhos do que na própria realidade que o cerca. Na escola é desprezado por todos por ser uma criança retraída. Sophie (Marion Cottilard), por outro lado, é o oposto de Julien por ser atrevida e a ter uma atitude mais independente perante a vida e aos outros. Igualmente sofre preconceito na escola por ser polaca. Dois jovens de personalidades tão distintas tornam-se amigas e unem-se para enfrentarem a dura situação imposta pela violência escolar e por que não dizer, a indiferença familiar. Esta relação de Julien e Sophie, da infância à idade adulta, é mostrada no decorrer de toda a trama.  O que os une é um jogo em que ambos desafiam-se mutuamente. Aquele que está de posse da “caixa mágica” precisa cumprir o desafio imposto pelo parceiro. A princípio uma brincadeira de criança de desafiar professores e de fazer uma travessura aqui e ali. Nada muito sério e até divertido. Com o passar dos anos esta ingênua brincadeira vai tomando contornos mais perigosos já que os desafios vão se tornando cada vez mais difíceis e arriscados.

Esta brincadeira de um desafiar constantemente o outro é, antes de tudo, uma forma que eles encontraram de desafiar a sociedade que os reprimia e os desprezava. Isto no início da brincadeira e de forma inconsciente, claro. Já como adultos a brincadeira tem outros contornos e serve basicamente para expressarem suas inconformidades com a falta que ambos possuem de não saberem definir o que um sente pelo outro. Esta dualidade de amor/ódio ou escolhas/consequências são a tônica de boa parte do filme. Mas não pense que o filme é “cabeça” demais. Com certeza você irá se emocionar.

A forma narrativa é interessante e diria até que bem lúdica bem ao estilo da linguagem jovem. Fantasia, teatro, animação e o mundo mágico dos sonhos fazem parte da narrativa e serve para dar um charme todo especial a esta produção. A interpretação das crianças dá um charme especial e os atores adultos não comprometem de forma alguma. Aliás, a química entre eles é muito boa. A trilha sonora ajuda, e muito, a contar a história deste amor inconseqüente com a canção “la vie em rose” interpretada por Luis Armstrong, Donna Summer, Trio Esperança e Zazie em vários arranjos interessantes. Uma história de amor um pouco diferente do estilo comédia romântica que estamos acostumados a assistir na cinematografia americana. De qualquer forma uma história romântica onde é possível discutir a relação de forma adulta e fazer o espectador pensar nas causas e consequências de suas escolhas na vida. Afinal, quando adultos precisamos avaliar estas escolhas e levarmos em conta as consequências de nossos atos. Ou não…

Read Full Post »

Na trilha do cinema de hoje a homenagem ao compositor francês de origem belga e norueguesa Yann Pierre Tiersen (Brest 23/6/1970) que se tornou mundialmente conhecido pelas trilhas sonoras dos filmes O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e Adeus, Lenin!

 
A obra de Yann Pierre Tiersen no filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain foi indicado ao BAFTA (British Academy of  Film and Televison Arts) na categoria de Melhor Trilha Sonora e premiado com o CÉSAR (o Oscar francês) nesta mesma categoria.
 
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain é uma produção francesa de 2001 dirigida por Jean Pierre Jeunet e estrelada por Audrey Tautou, Mathieu Kassovitz, Rufus e Yolande Moreau.
 

Yann Pierre Tiersen

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ouçamos a bela composição intitulada Comptine  D’Um Autre Été
 
Para continuarmos no mesmo, clima ouçamos também La Valse D’Amelie
 
Quero agradecer a minha amiga Fabiana Udolpho pela indicação da trilha sonora de hoje. Realmente duas lindas e comoventes trilhas de cinema.

Read Full Post »

Você já parou para contar quantas chaves carrega em seu chaveirinho pendurado na sua calça ou jogado displicentemente na sua bolsa?

Já parou para pensar que, à medida que vamos crescendo, o número de chaves sob nossa responsabilidade aumenta proporcionalmente?

Quando entramos na adolescência nossa primeira chave é a que abre a porta do nosso quarto. Sim, porque todo adolescente curte este negócio de “meu-quarto-meu-domínio” e não permite que ninguém o invada sem convite expresso para tal. Não que existam coisas de grande importância ou de valores monetários neste quarto, claro. Mas existem certos “segredos” que os pais não precisam saber e é importante que alguns amigos também não saibam o que escondemos em baixo do colchão ou na gaveta das meias e cuecas.

Também não queremos que intrusos fiquem xeretando nossas coisas. Também para evitar que um dia nossa mãe acorde com aquela mania, que toda mãe que se preze tem, de fazer aquela arrumação no nosso quarto. Uma coisa que aborrece profundamente um adolescente é a tal organização e limpeza de seu domínio. Afinal, sempre nos entendemos muito bem com a “desordem-organizada” do nosso quarto. Nada está perdido e sempre achamos exatamente o que procuramos nesta bagunça toda. Assim sendo, melhor mesmo é manter a porta do quarto sempre fechada e com uma placa de advertência bem visível: Proibido a entrada.

Os anos vão se acumulando e num momento da vida recebemos cópias das chaves da casa.  Sim, é preciso carregar agora, além da chave do quarto, a chave da porta principal da residência e do portão. Se você morar em apartamento mais chaves irão somar-se às outras em seu chaveiro. Nesta fase da vida, a meta de todo jovem é conseguir a tão sonhada chave do carro. Mas primeiro você precisa passar por outras “fases” deste jogo de viver em sociedade para adquirir o direito de possuí-la.

No dia da formatura da faculdade você recebe de presente a tão sonhada chave do seu carro novinho em folha como reconhecimento por seus esforços e estudos. Isso se sua família for da classe média, claro. Caso contrário terá que trabalhar muito ainda antes de poder dar a partida no motor de seu primeiro automóvel. Usado, evidentemente. Enfim, agora você não precisa mais da primeira chave que teve direito na sua vida: A chave do seu quarto. Você já é adulto e não precisa mais esconder certos segredos e até prefere mesmo que sua mãe dê uma arrumada naquela bagunça toda. No seu chaveirinho agora estão às chaves da casa, da garagem, do portão e do carro. E você se sente feliz e parte integrante da sociedade.

Caso você tenha se tornado um empresário de relativo sucesso no decorrer de mais alguns anos, além das chaves da casa, da garagem, do portão e do seu carro agora terá que carregar também a chaves da entrada do prédio da sua empresa, da chave da porta da sua sala (que você mantém impecavelmente limpa e organizada. Afinal agora são outros tempos).  Provavelmente terá também a chave do cofre e outras tantas gavetas que precisam estar sempre fechadas (sim é preciso guardar coisas que agora possuem realmente valor). Isto sem contar as chaves do armário da sua academia de ginástica e outras que não me ocorre no momento.

Claro que você não precisa carregar as chaves da casa da praia e tudo mais. De qualquer forma você é proprietário destas e de outras tantas chaves de acordo com o saldo da sua conta bancária. Diria até que poderíamos saber o nível sócio-econômico de uma pessoa só pela quantidade de chaves que ele carrega ou pelas quais é responsável. Nesta altura do campeonato, quantas chaves carregamos neste nosso chaveirinho imaginário? Alguém, por favor, faça as contas que eu nunca fui bom em matemática…

Agora se você for o rei (ou rainha) da Inglaterra provavelmente você não terá que carregar chave alguma. Até porque, acredito que em cada porta do palácio de Buckingham deva existir um empregado de prontidão só para abrir a porta para sua passagem. Assim como o Papa, o Barack Obama e outros multimilionários deste planeta que provavelmente também não precisam carregar ou possuir chave alguma porque existe sempre um funcionário (ou puxa-saco) só para abrir suas portas, dirigir seus carros, seu iate, seu jatinho e tudo mais.

Será que a Rainha Elizabeth II carrega chaves naquela sua inseparável bolsa? Um presidente (não lembro qual foi) disse numa entrevista que precisaria reaprender a abrir portas depois que deixasse o palácio da alvorada. Informou que durante quatro anos de mandato nunca teve que abrir uma única porta para entrar em parte alguma. Ossos do ofício!

Toda esta história sobre a importância de possuirmos chaves e o que elas representam na nossa vida me ocorreu quando notei que um conhecido meu carregava, pendurado na sua calça, um chaveiro com inúmeras chaves de todas as formas e tamanhos. Ele tinha, com certeza, mais de quarenta e cinco anos e parecia ter orgulho de possuir a quantidade de chaves que carregava consigo.

Você deve estar pensando que seria natural uma pessoa nesta idade carregar tantas chaves. A questão é que ele era um morador de rua. Na realidade não era bem um morador de rua. Ele morava, de favores, num quartinho minúsculo situado no estacionamento onde “trabalhava” como flanelinha. Ganhava alguns trocados de uns e outros para lavar os carros e ficar por ali a cuidar dos veículos. O pouco que conseguia ganhar nesta atividade gastava com a cachaça no bar da esquina.

Tudo que este homem possuía era a roupa do corpo, um colchão para dormir, um guarda-roupa com alguns pertences e só. Claro que ele nunca foi um cara sem eira nem beira. Teve boa casa, bom emprego, mulher e filho. Mas você já deve ter atinado a razão de sua ruína e abandono. Pois é… A maldita da bebida. Mas isto é outra história. O que me intrigava mesmo era a razão porque ele carregava tantas chaves e qual a importância que elas representavam para ele.

A história deste homem é bem antiga. Coisa de uns vinte anos ou mais. Mas este fato sempre me intrigou e, vez por outra, esta lembrança me ocorre. Lembro que uma vez cheguei a perguntar para o tal homem que utilidade tinha aquela quantidade de chaves que carregava. Imediatamente me arrependi de fazer esta pergunta. Pelo seu constrangimento e silêncio fiquei com um nó na garganta e queria que um buraco no chão se abrisse para que eu pudesse cair nele tal a minha insensibilidade em questioná-lo sobre suas preciosas chaves.

Evidente que elas eram apenas um símbolo de status que ele queria possuir, mas que infelizmente estava muito longe da sua realidade. Em um segundo esta percepção caiu como um raio na minha cabeça. Nunca soube (e nunca mais perguntei) que portas abriam aquelas chaves. Seriam aquelas as chaves que acumulara no seu passado de respeitado chefe de família ou seriam chaves “anônimas” abandonadas na rua que ele foi acumulando durante sua solitária vida? Esta e outras perguntas sempre me ocorrem quando me lembro de sua triste e solitária figura. Nossas vidas tomaram outros caminhos e nunca mais o vi. Assim, fiquei sem saber a respostas sobre o significado daquelas misteriosas chaves e que portas elas abriam.

Quando penso em tudo isso, fico divagando sobre o homem e suas chaves. Realmente gostaria de entender a razão dele carregar aquela quantidade de inúteis chaves. Quem o encontrava pela rua com aquela quantidade de chaves em seu chaveiro (e não conhecesse sua real condição de vida) provavelmente pensaria tratar-se de um homem de muitas responsabilidades, de boa situação financeira e coisa e tal. E certamente este era a impressão que queria causar nas pessoas. Ele se agarrava em suas chaves como náufrago em sua tábua de salvação. As chaves representavam sua ligação com a sociedade. Representavam, acima de tudo, o símbolo de ser um cidadão. Talvez elas os ajudassem a pensar que fosse importante para alguém e que tinha um lugar no mundo. Mesmo que a sociedade lhe virasse às costas e o tratasse como ser humano inferior, ele se agarrava as suas chaves como a dizer: – Eu sou alguém. Tenho minhas chaves!

Tudo isso são meras divagações da minha mente uma vez que nunca mais vi o homem com suas chaves. Este é um segredo guardado a sete chaves pelo tal homem que possuía muito mais que sete chaves.

Read Full Post »

Na trilha do cinema desta sexta-feira vamos ouvir o tema “Parade Of The Charioteers” (ou a corrida de bigas) do filme Bem-Hur uma produção americana de 1959 dirigido por William Wyler.

O tema “Parade Of The Charioteers” foi escrita pelo compositor húngaro Miklós Rózsa (1907-1995) que levou o Oscar de 1960 como a melhor trilha sonora.

Interpretação The Johann Strauss Orchestra com a regência de André Rieu.

Read Full Post »

Para um dia especial como o de hoje nada mais natural que inspirar-se com poesia e sentir a presença da pessoa amada ao lado. Feliz aquele que ama (e é correspondido) ter a experiência de uma convivência de amor, harmonia e cumplicidade. Posso dizer que eu tenho esta sorte. Há vinte e dois anos tenho ao meu lado a mulher da minha vida e a ela dedico este poema. Sei que o grande poeta Fabrício Carpinejar não vai se importar que eu use suas palavras deste belo poema para expressar aqui o sentimento que me vai ao coração.

Para ti, Denise. Minha amada imortal.

 

UM COQUE GRISALHO PARA MINHA VIDA

 

Há homens que se imaginam com mechas loiras entre as mãos. Cabelos morenos, lisos, brilhantes. Cabelos cacheados, perfumados. Cabelos ruivos, intensos. Cabelos coloridos, disfarçados. Cabelos encharcados de vigor. Cabelos para dizer o quanto são jovens, o quanto são viris, o quanto são sedutores.

Eu me pressinto com um coque grisalho entre as mãos. O cheiro de tecido alisado com vapor. Ou da madeira encerada de varanda. Um coque caprichado, com toda a brancura de um inverno na serra. Um coque como uma cesta de laranjas desembarcando na fruteira. Um coque como um ninho, o ninho já é jardim e quintal para o pássaro.

Um coque grisalho como um novo ombro para a janela. Um coque grisalho e até o vento respeita. Um coque ao alto, como uma lâmpada que não se queima, que não depende de escadas.

Não é nenhuma perversão. Enxergo-me desde agora segurando os cabelos brancos de minha mulher. Envelhecido com ela, sem mentir a natureza de minhas sobrancelhas e esconder a fragilidade de meus braços. Fico excitado em estar com alguém que madurou e não perdeu o viço. Respeitar quem amo e amar quem respeito. Poder errar as lembranças para recuperar o desejo. A coragem de avançar para trás, não terminando de musicar a memória e de acrescentar datas.

Um coque grisalho entre os dedos já afinados de flauta. Os cabelos armados pelo costume de soltá-los somente na cama. Ver minha mulher se pentear de manhã, devagar, namorando o espelho como se o meu rosto fosse sempre perto daquele rosto. Seu apuro de ouvido, definindo se o cabelo está pronto pelo barulho fácil do pente.

As linhas dos lábios desenhadas pelo batom suave. Nenhum escândalo diante do tempo, nenhum pavor de mortalidade. A mesa da sala limpa de alegria e sofrimento. Limpa, com um vaso a mostrar seu centro. Nossas vozes dentro das vozes dos filhos dentro das vozes dos netos. Enganar o nome de quem chega. A amizade de entender as manias e não sacrificá-las com o julgamento. A maior aventura não é correr o mundo, é correr os olhos, aventurar-se pelo interior da casa.

Não desejo a juventude de uma mulher, desejo sua permanência. O que a faz recente não é o quanto ela se preservou, mas o quanto ela se entregou.

Fabrício Carpinejar

Read Full Post »

Older Posts »