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Archive for janeiro \29\UTC 2013

12278_g[1]Ler Moacyr Scliar sempre é um grande prazer. Sempre fui (e ainda sou) um grande fã deste escritor gaúcho. Por conspiração do destino (a meu favor, diga-se), agora trabalho muito próximo de suas obras. É só estender o braço e dezenas deles estão a minha disposição.

Por falar nisso, acabei de devolver para a estante da biblioteca (que leva seu nome) o livro “Os Vendilhões do Templo” e já lancei mão de “Eu vos abraço, milhões”.

A narrativa de Scliar é contagiante pela ironia, pela leveza como consegue contar uma história e, sobretudo, pelo humor refinado de sua escrita.

Nesta obra, o leitor é convidado a refletir sobre uma pequena passagem da bíblia, mas que ainda repercute em nossos dias: O mercantilismo x religião. Fé e lucro. Difícil não fazer uma comparação com estas “igrejas” que, não só aceitam os tais vendilhões, como incorporaram-no em suas preces, altares e, muitas vezes (o que é de se espantar) são seus próprios ministros e bispos!! Mas isso é outra história e seria tese de doutorado!

A história começa em 33 d.C e quando Jesus expulsou os vendilhões do Templo em Jerusalém. Este período é narrado pela ótica de um vendedor de pombos à porta do templo.

Um pulo histórico e chegamos em 1635. Nicolau, um jovem padre, chega a uma missão jesuítica no sul do Brasil para catequizar índios Guarani. Mais uma vez a questão do vendilhão se apresenta fazendo um elo com o início da história.

Em outro pulo de tempo, chegamos aos dias atuais na cidade de São Nicolau do Oeste e a passagem bíblica mais uma vez é o centro dos acontecimentos. Uma teatralização deste evento reúne quatro amigos e as relações, nem sempre amistosas, entre este grupo se desenrola.

Três histórias distintas a retratar um fato bíblico. Várias perguntas e nem todas as respostas levam o leitor a refletir sobre ganância e religião.

Vale a pena a leitura.

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