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Archive for the ‘Caracteres Literários’ Category

Semear sonhos, colher sorrisos e emocionar. Compartilhar histórias lúdicas e fantásticas e assim tornar a realidade mais branda e feliz.
Pessoas iluminadas de beleza e sentimentos, os contadores de histórias povoam o imaginário infantil e abrem portas literárias para novos leitores.

Parabéns aos meus amigos contadores de histórias!

 

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Prata do Tempo, de Leticia Wierzchowski é um daqueles livros que você não percebe a passagem do tempo. Ou sente a passagem do tempo com emoção.

Imagine uma casa enorme feito um labirinto. Muitos cômodos, portas, janelas e, a habitar esta casa, muitas pessoas e suas histórias de vida e morte. A Saga da família Serrat narrada de forma contagiante pela escritora (e porque não dizer poetisa) Letícia Wierzchowski.

A vida e a morte, de mãos dadas, circulam por esta imensa casa a tocar seus habitantes. Ora com alegrias infindas, ora com tristezas homéricas. Homens, mulheres, crianças e os criados convivem – e sentem – todos os momentos desta convivência por vezes turbulentas e, por vezes numa pasmaceira de dar sono.

Acompanhar os destinos destes personagens e sentir suas alegrias e angústias deixa no leitor uma sensação de ter vivenciado igualmente todas estas emoções.

Um livro que recomendo.

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Foi com raro prazer que devorei as páginas do livro Neptuno, de Letícia Wierzchowski. Cada parágrafo uma sensação diferente; cada capítulo possibilidades mil em relatos de suspense, erotismo e sangue. Sem contar aquela cumplicidade narrador/leitor que me fisgava a cada observação em que era instigado a pensar e a tentar responder as questões morais, éticas e porque não dizer, sexuais do jovem M.

Como culpar o ciumento M pelo acontecido? Como não apaixonar-se perdidamente (personagem e eu próprio) pela ninfeta June? Esta Lolita tupiniquim tinha curvas, ideias e desejos perigosos demais para ficarem imunes a uma paixão avassaladora e possessiva.

June se apresenta aos olhos do leitor pela narrativa sempre explícita e comovente do advogado Key, que por sua vez a vê (e sonha e excita-se) pela descrição do possessivo M ao contar-lhe o que se passou naqueles dias a beira mar e nos galpões desertos da cidade de Neptuno.

Também não é pra menos que esta ninfomaníaca (?!) tenha despertado desejos irracionais de jovens, adultos, solteiros e casados. Nem o próprio advogado Key (que nos relata aqueles dias) saiu imune dos acontecimentos. Claro que o leitor também irá cair nas artimanhas luxuriantes da jovem de lábios carnudos e prever (infelizmente) seu trágico fim.

Não é pra menos. Veja a descrição da bela jovem e saia ileso desta leitura se puder:

“June tinha sardas, minúsculas sardas douradas que pareciam pó de ouro. A boca era carnuda, cor de romã (…). June era uma menina crescida demais. Tinha um corpo delgado, de onde brotavam promessas. Ela andava suave e cadenciadamente. E tinha aquelas pernas longas, perfeitamente lisas…”.

Interessante também foi acompanhar o desenrolar deste trágico acontecimento na vida das outras pessoas citadas no romance. Nada será como antes no futuro destas pessoas que, de uma forma ou de outra, também foram responsáveis pelos destinos (passado, presente e futuro) destes jovens amantes.

O livro é repleto de referências literárias que ajudam o leitor a ter uma visão mais exata do charme fatal de June. Truque poderoso também para fisgar de vez o leitor ávido pelo fim da trama. A narrativa de Letícia é primorosa pela poesia e pela forma cativante que nos leva até a última página com o sangue a fervilhar na veia.

Não querendo tirar o prazer de quem ainda não leu este romance, mas devo dizer que Nabokov fez escola e agora podemos dizer que temos a nossa Lolita literária.

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Ler Feia, de Constance Briscoe não foi uma tarefa fácil. Claro que eu sabia, de antemão, que a história ali narrada seria osso duro de roer. Não sabia (ou não queria acreditar) que seria tão cruel a vida da menina Clare. Que, aliás não se chamava Clare ou Claire. Só foi saber o nome verdadeiro quando adulta!

Além das surras homéricas, humilhações de gelar o sangue e toda sorte de privações, a mãe (mãe?!) escondeu da própria filha sua identidade como ser humano e individual.

A narrativa, apesar da dor visceral, flui de forma ágil e, em nenhum momento, a autora se coloca como vítima. Muito antes pelo contrário. Como teve a infância e a juventude sempre acreditando que era mesmo um ser insignificante e inútil, acreditava que o tratamento recebido pela mãe tinha algum motivo causado pela sua própria existência.

Clare era mijona, feia, beiçuda, nariguda e careca. Era natural (?!) receber o tratamento que recebia da mãe. Tanto sofrimento e dor só podia ser mesmo o tratamento que merecia. E isso é o que mais me causou espanto e indignação! Como uma criança pode chegar a este ponto de acreditar num absurdo destes?

Com  o passar do tempo Clare percebeu que, talvez, fosse a própria mãe que tinha problemas psicológicos, patológicos e uma grande dose de psicopata naquele cérebro de louca varrida.

Ler as agressões psicológicas que a menina sofria pelos lábios da mãe é de deixar qualquer um com o estômago revoltado e o sangue quente.  Cada parágrafo, cada página, cada capítulo era uma sucessão do que um cérebro humano (demasiadamente humano)  é capaz de dizer (e fazer) com a própria filha. Esta mulher não tinha a menor noção do que fosse amor, carinho e afeto.

Apesar de tudo, um livro otimista e, felizmente, um final em que é possível acreditar no sonho e a obrigação de lutar para consegui-lo. Sorte que Constance nunca desistiu de seus sonhos e da sua capacidade de realizá-lo.

Viveu para vingar a mãe? Sinceramente não acredito. O livro foi seu grito de liberdade e, como ela própria diz, a mãe não merecia seu silêncio. O cruel de tudo isso é sabermos que esta violência (física e psicológica) está tão perto de nós nestes dias de carnaval e alegrias no ar.

Que este livro possa inspirar outras meninas (e meninos) a não se submeterem a este tratamento desumano e a acreditarem que não são – nem de longe – responsáveis por receberem este tratamento e a passarem suas infâncias e adolescências na dor e no sofrimento.

A vitória de vida de Constante, foi, com certeza, a grande vingança que ela pode fazer contra aquela mulher que a pariu. Porque de mãe, aquela megera, não tinha nada.

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Quem, na juventude, não teve anseios de querer mudar o mundo? Quem não sonhava, em sonolentas madrugadas, a empunhar bandeiras revolucionárias com vigor e coragem? Nas décadas de 10… 20… 30 muitos jovens, com certeza, tinham esta visão de serem os heróis da pátria e salvadores do mundo. Afinal, eram anos conturbados (revolução Russa, comunismo em ascensão, queda da bolsa, Getúlio no poder, etc…) e o mundo transformava-se e multidões de jovens e inconformados saiam às ruas (e eram perseguidas, mortas ou sumiam da vista de familiares e amigos) para protestar e revolucionar conceitos e comportamentos. Anos de chumbo e de transformação.

Estes pensamentos utópicos começaram a fervilhar na cabeça do jovem Valdo nos idos anos 30. Ser filho de um humilde capataz naqueles tempos não era nada fácil. Após ver o pai ser humilhado pelo dono das terras ele tinha um só pensamento: Vingar-se da humilhação e acabar com o poder econômico e dar ao proletariado (palavra que só foi conhecer bem depois através da leitura de livros comunistas) o comando dos destinos do mundo. Grande utopia, claro. O destino tinha outros planos para este jovem idealista…

Por ironia do destino (e a sempre genialidade e veia cômica de Scliar) o jovem Valdo – comunista ferrenho e grande leitor de Marx e Lênin – foi trabalhar no lugar mais improvável possível: Na construção do Cristo Redentor! Pior castigo para um comunista impossível.

Apesar de tudo, Eu vos abraço, milhões de Moacyr Scliar não é um livro pessimista. Longe disso. A realidade que o cotidiano impõe ao herói da história (e a nós, seus leitores) é que é dura. É preciso comer, beber, ter onde morar, o que vestir, etc… e isto são comuns a qualquer mortal (comunista ou burguês). Claro que é preciso sonhar, ter objetivos na vida. E Valdo os tem de sobra através da sua literatura esquerdista e seus sonhos de salvador da pátria e defensor de fracos e oprimidos.

Uma narrativa que empolga e leva o leitor a procurar entender as razões das escolhas de Valdo na sua jornada a se tornar um comunista (ou não). Afinal, a vida é feita de escolhas e Moacyr Scliar vai desfiando sua genialidade em cada página  com seus  personagens reais e imaginários e em histórias reais ou ficcionais. Aliás, a ambientação histórica é quase um personagem deste livro que se lê de um fôlego só.

Ao chegar à última página, lembrei da composição de Elis Regina:  “Como Nossos Pais”  que, entre outras verdades, escreve:

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais…

Meus amigos, a realidade, às vezes, é cruel e é preciso seguir em frente e engolir alguns sapos (ou deixar alguns ideais pelo caminho). Mas o que nos resta fazer? Sigamos em frente…

Talvez a felicidade esteja em outro lugar. Em outro sonho.

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12278_g[1]Ler Moacyr Scliar sempre é um grande prazer. Sempre fui (e ainda sou) um grande fã deste escritor gaúcho. Por conspiração do destino (a meu favor, diga-se), agora trabalho muito próximo de suas obras. É só estender o braço e dezenas deles estão a minha disposição.

Por falar nisso, acabei de devolver para a estante da biblioteca (que leva seu nome) o livro “Os Vendilhões do Templo” e já lancei mão de “Eu vos abraço, milhões”.

A narrativa de Scliar é contagiante pela ironia, pela leveza como consegue contar uma história e, sobretudo, pelo humor refinado de sua escrita.

Nesta obra, o leitor é convidado a refletir sobre uma pequena passagem da bíblia, mas que ainda repercute em nossos dias: O mercantilismo x religião. Fé e lucro. Difícil não fazer uma comparação com estas “igrejas” que, não só aceitam os tais vendilhões, como incorporaram-no em suas preces, altares e, muitas vezes (o que é de se espantar) são seus próprios ministros e bispos!! Mas isso é outra história e seria tese de doutorado!

A história começa em 33 d.C e quando Jesus expulsou os vendilhões do Templo em Jerusalém. Este período é narrado pela ótica de um vendedor de pombos à porta do templo.

Um pulo histórico e chegamos em 1635. Nicolau, um jovem padre, chega a uma missão jesuítica no sul do Brasil para catequizar índios Guarani. Mais uma vez a questão do vendilhão se apresenta fazendo um elo com o início da história.

Em outro pulo de tempo, chegamos aos dias atuais na cidade de São Nicolau do Oeste e a passagem bíblica mais uma vez é o centro dos acontecimentos. Uma teatralização deste evento reúne quatro amigos e as relações, nem sempre amistosas, entre este grupo se desenrola.

Três histórias distintas a retratar um fato bíblico. Várias perguntas e nem todas as respostas levam o leitor a refletir sobre ganância e religião.

Vale a pena a leitura.

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Para um ateu como eu, tem me caído às mãos muitos livros sobre a vida de santos. Deve haver algum sinal cósmico ai que eu não estou conseguindo captar. Vira e mexe e, quando dou por mim, estou lendo alguma biografia de pessoas extremamente religiosas e de grande fé que foram canonizadas. Deve ser algum sinal…

Só este ano foram três: A Dama Azul, de Javier Sierra,  A Conspiração Franciscana, de John Sack e o último, que acabei de ler esta semana: Teresa – A Santa Apaixonada, da jornalista carioca Rosa Amanda Strausz.

Teresa de Ahumada Sanchez Y Cepeda, que mais tarde ficou conhecida como Teresa D’Ávila nasceu na Espanha barroca e inquisitorial do século XVI. Na sua adolescência, era uma jovem como tantas outras de sua idade. Adorava uma festa, vestir-se com caros e belos vestidos e usar jóias caríssimas. Tinha plena consciência de sua beleza e charme e usava estes artifícios para encantar a todos. Quando seu pai, Dom Alonso de Sanchez Y Cepada ficou viúvo, se viu na obrigação de internar a filha, então com 20 anos, no convento das agostinianas de Nossa Senhora das Graças, a vida de Teresa mudou por completo.

Teresa na realidade já vinha desenvolvendo seu lado místico e de fé, mas não abria mão de seus dotes financeiros e levava uma vida bastante luxuosa em companhia da família e muitos criados. Ao entrar para o convento percebeu que tinha deixado para trás a vida mundana e que precisava mudar seu estilo e dedicar-se à sua nova vida. Não foi uma mudança fácil. Seus questionamentos sobre sua verdadeira vocação e fé a levaram, inúmeras vezes, a acreditar que estava a viver uma farsa. Sua busca incessante por respostas e muitas orações depois, convenceu-se que a vida no convento seria a única forma de encontrar o homem que procurava.

Quando começaram os desmaios, sacrifícios corporais e êxtases de pura fé compreendeu, finalmente, que estava no caminho da fé verdadeira e que sua vida seria dedicada ao único homem de sua existência: Jesus.  Claro que a Igreja não aceitou facilmente esta mulher que dizia falar com Jesus e todo seu misticismo. Teresa representava um perigo para a Igreja Apostólica Romana. Ainda mais se levarmos em conta que ela viveu numa época onde as mulheres eram educadas ao silêncio e a obediência.

Apesar do sofrimento, da desconfiança de todos que a rodeavam e da doença que a deixou durante três anos ao leito, Teresa manteve firme sua fé e sua vontade de mudar a Ordem das Carmelitas. Depois de muito esforço e sofrimento finalmente foi reconhecida como Teresa de Jesus a “Doutora da Igreja”. Antes de morrer, aos 67 anos, em 1582, ainda fundaria 18 mosteiros, escreveria sua autobiografia e outros três livros. Foi oficialmente reconhecida como santa em 1662.

Rosa Amanda Strausz preocupou-se com seu livro em narrar a vida de uma mulher que trazia consigo a força da devoção e do amor absoluto por Jesus. Muito mais que narrar a história de uma santa, a escritora pretendeu contar a vida desta mulher que sofreu inúmeras humilhações, foi desacreditada, tida como visionária e mística. Mesmo assim não se abalou e viveu de acordo com sua fé e convicções.

 

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